Misoginia em alta: os números e os casos que chocaram o Brasil em 2025
A violência contra mulheres não para de crescer, e os dados oficiais divulgados nesta semana são alarmantes
A violência contra mulheres não para de crescer, e os dados oficiais divulgados nesta semana são alarmantes:
- 1.457 feminicídios em 2024 – recorde histórico (Ministério da Justiça)
- A cada 6 minutos uma mulher é agredida no Brasil (Fórum Brasileiro de Segurança Pública)
- 68% dos casos de violência doméstica terminam arquivados por falta de provas ou desistência da vítima
- 9 em cada 10 agressores são parceiros ou ex-parceiros
Os casos que marcaram o ano
- Ana Hickmann (janeiro) Acusou o ex-marido Alexandre Correa de agressão física dentro de casa, na frente do filho. Vídeos de câmeras de segurança mostraram empurrões e ameaças. Processo segue em segredo de justiça.
- DJ Ivis 2.0 (maio) Influenciador digital de Fortaleza foi preso em flagrante após live em que agrediu a namorada grávida. A transmissão ficou no ar por 42 minutos antes de ser derrubada.
- Caso Mariana Ferrer revisitado (agosto) Juiz que humilhou Mariana em audiência de 2020 foi promovido a desembargador. Decisão reacendeu #JustiçaPorMarianaFerrer e levou 300 mil pessoas às ruas em 12 capitais.
- “Bolsomito” nas redes (outubro-novembro) Perfis bolsonaristas organizaram campanha coordenada de ataques a jornalistas mulheres. As cinco mais visadas (Vera Magalhães, Miriam Leitão, Patrícia Campos Mello, Andréia Sadi e Gabriela Prioli) receberam mais de 180 mil menções com ameaças de estupro e morte em apenas 15 dias, segundo relatório da SaferNet.
- Assassinato de Moïse Kabagambe brasileira (novembro) Congolesa de 28 anos foi espancada até a morte no Rio por cobrar salário atrasado. Vídeos mostram quatro homens rindo enquanto a chutavam. Nenhum réu foi preso até hoje.
O que mudou (ou não mudou)
- Lei Maria da Penha completou 19 anos, mas apenas 8% dos municípios têm delegacia da mulher 24h
- Patrulha Maria da Penha existe em só 11% das cidades
- Orçamento federal para combate à violência doméstica caiu 34% em valores reais desde 2022
Reação da sociedade
Movimentos feministas lançaram a campanha #MexeuComUmaMexeuComTodas 2.0, que já tem 4,8 milhões de postagens. Em São Paulo, o ato do dia 25 de novembro (Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher) reuniu 180 mil pessoas na Avenida Paulista – o maior desde 2018.
Enquanto isso, pesquisas mostram que 1 em cada 4 brasileiros ainda acha que “em briga de marido e mulher não se mete a colher” e 19% dos homens entre 18 e 24 anos concordam que “mulher que usa roupa curta está pedindo”.
2025 termina com um alerta claro: a misoginia não só continua existindo, ela está mais escancarada, mais organizada e mais mortal do que nunca.
