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Publicado: 06 de dezembro de 2025 às 09:11

Após metanol em bebidas, governo notifica plataformas sobre whey falso: alerta para suplementos adulterados

Em meio à crise de contaminação por metanol em bebidas alcoólicas que abalou o país nos últimos meses, o governo federal deu um passo para combater outro risco à saúde pública: a venda de suplementos falsificados.

Em meio à crise de contaminação por metanol em bebidas alcoólicas que abalou o país nos últimos meses, o governo federal deu um passo para combater outro risco à saúde pública: a venda de suplementos falsificados. Na segunda-feira, 10 de novembro de 2025, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), ligada ao Ministério da Justiça, notificou as maiores plataformas de e-commerce – Amazon, Magazine Luiza, Mercado Livre e Shopee – para suspenderem imediatamente a comercialização da marca de whey protein “Whey Gourmet”, suspeita de falsificação e irregularidades sanitárias.

O contexto da crise: de metanol a suplementos falsos

A notificação surge em um cenário de alertas crescentes sobre produtos adulterados no Brasil. Recentemente, casos de envenenamento por metanol em bebidas alcoólicas, como cervejas e destilados falsificados, resultaram em dezenas de internações e pelo menos cinco mortes em estados como São Paulo e Rio de Janeiro. A Anvisa e a Polícia Federal intensificaram fiscalizações, levando à apreensão de lotes contaminados e à proibição de vendas online de certas marcas.

Paralelamente, o mercado de suplementos alimentares – avaliado em R$ 12 bilhões anuais e impulsionado por academias e influenciadores digitais – tem sido palco de fraudes. Em setembro de 2025, a Polícia Civil de Americana (SP) desmantelou um esquema que falsificava rótulos de whey protein, creatina e outros produtos, apreendendo quatro toneladas de itens reembalados irregularmente, sem registro na Vigilância Sanitária. Apesar disso, denúncias apontam que esses suplementos continuavam disponíveis em e-commerces, expondo consumidores a riscos como contaminação por substâncias tóxicas, dosagens erradas ou ausência de nutrientes declarados.

Detalhes da notificação: foco na “Whey Gourmet”

A ação foi desencadeada por uma denúncia formal do deputado federal Felipe Carreras (PSB-PE), apresentada em 6 de novembro durante uma audiência pública na Câmara dos Deputados. Carreras destacou a persistência da venda de produtos adulterados, mesmo após operações policiais: “Suplementos falsificados continuam sendo comercializados em grandes plataformas, apesar das apreensões. Isso é um risco inaceitável à saúde da população”, afirmou o parlamentar em seu requerimento.

A Senacon, responsável pela defesa do consumidor, determinou a suspensão imediata da “Whey Gourmet” nas plataformas citadas, sob pena de multas e responsabilização civil. A marca, fabricada por uma empresa de Minas Gerais sem comprovação de regularidade, foi flagrada com rótulos falsos e composição questionável, incluindo possíveis aditivos proibidos. As plataformas têm 48 horas para remover os itens e reportar o cumprimento da ordem.

Reações e implicações para o e-commerce

As empresas notificadas ainda não se manifestaram publicamente, mas fontes do setor indicam que algoritmos de monitoramento já foram ativados para varrer catálogos semelhantes. A Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica) e a Anvisa apoiam a medida, mas cobram mais rigor: “O e-commerce precisa de fiscalização proativa, não só reativa”, disse um representante da agência em nota.

Para os consumidores, o episódio reforça a importância de verificar selos da Anvisa e rótulos antes de comprar suplementos online – um mercado onde 70% das vendas ocorrem via apps, segundo a Associação Brasileira de Empresas de E-commerce (Abcomm). Especialistas alertam para perigos como falência renal por excesso de creatina falsificada ou reações alérgicas a corantes ilegais.

Um passo maior contra a falsificação

Essa notificação é parte de uma ofensiva mais ampla do governo Lula contra fraudes em produtos essenciais. Após o escândalo do metanol, que levou à criação de um grupo de trabalho interministerial, o foco agora se expande para suplementos, medicamentos e cosméticos. Com o Natal se aproximando, a Senacon planeja novas ações preventivas, incluindo campanhas educativas e parcerias com influenciadores fitness para desmascarar marcas duvidosas.

O caso da “Whey Gourmet” serve de alerta: em um país onde a busca por performance física é febre, a saúde não pode ser refém de oportunistas. Consumidores lesados podem denunciar via Consumidor.gov.br, e a investigação policial segue para identificar a rede de distribuição. Resta saber se essa pressão fará as plataformas investirem mais em compliance – ou se os falsificadores sempre darão um passo à frente.