Datafolha: 8% querem Bolsonaro apoiando Flávio; 22%, Michelle
Pesquisa revela preferências dos eleitores para o sucessor de Jair Bolsonaro nas eleições de 2026, com Michelle liderando as intenções de endosso
Em uma pesquisa realizada antes do anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, o Datafolha apurou as preferências dos brasileiros sobre quem deveria receber o apoio de Jair Bolsonaro para as eleições de 2026. O levantamento, divulgado nesta sexta-feira (6), mostra Michelle Bolsonaro como a favorita, com 22% das intenções, enquanto o senador Flávio, recém-lançado como herdeiro do clã, aparece com apenas 8%.
A pergunta central e o contexto do bolsonarismo
O Datafolha perguntou diretamente: "Quem deveria receber o apoio de Bolsonaro para 2026?". A sondagem ocorre em um momento delicado para a direita brasileira: Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, está inelegível até 2030 e cumpre pena em regime fechado desde maio de 2025. Apesar disso, 26% dos entrevistados afirmam que votariam "com certeza" em um candidato indicado por ele, o que reforça o peso do "selo bolsonarista" na base conservadora.
O anúncio de Flávio na quinta-feira (5), com o aval explícito do pai, veio após o republicamento de apoio por Javier Milei, mas o Datafolha, coletado entre 2 e 4 de dezembro, não capturou essas novidades. Em intenções de voto espontâneo, Lula (PT) lidera com 24%, seguido por Bolsonaro com 7% (apesar da inelegibilidade), e 54% sem opinião formada.
Os números detalhados: Michelle e Tarcísio na frente
Entre as opções apresentadas, as preferências se distribuem da seguinte forma:
| Candidato | Partido | Porcentagem |
|---|---|---|
| Michelle Bolsonaro | PL | 22% |
| Tarcísio de Freitas | Republicanos-SP | 20% |
| Ratinho Jr. | PSD-PR | 12% |
| Eduardo Bolsonaro | PL-SP | 9% |
| Flávio Bolsonaro | PL-RJ | 8% |
| Ronaldo Caiado | União Brasil | 6% |
| Lula | PT | 1% |
| Nenhum | - | 10% |
| Não sabem | - | 8% |
Romeu Zema (Novo-MG) foi mencionado na lista, mas sem percentual específico no relatório. A liderança de Michelle, ex-primeira-dama e figura carismática entre evangélicos, sugere que o eleitorado bolsonarista prioriza nomes com apelo popular amplo, enquanto Flávio, visto como mais "institucional", ainda luta para se consolidar.
Metodologia: representatividade nacional
O levantamento ouviu 2.002 pessoas com 16 anos ou mais, em 119 municípios brasileiros, entre 2 e 4 de dezembro de 2025. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Não há quebras por demografia ou região no relatório inicial, mas o instituto costuma divulgar análises complementares em atualizações.
Implicações para 2026: fragmentação à direita e o "efeito herdeiro"
Os resultados expõem a fragmentação do campo conservador: enquanto Michelle e Tarcísio (governador de SP) somam 42%, os filhos de Bolsonaro (Flávio + Eduardo) mal chegam a 17%. Isso pode complicar a estratégia do PL de unir a base em torno de um nome único, especialmente com o apoio recente de Milei a Flávio, que pode galvanizar os radicais, mas alienar moderados preocupados com instabilidade.
Para Lula e o PT, o cenário é de otimismo relativo: com 24% espontâneos e apenas 1% querendo endosso bolsonarista a ele, o presidente tem margem para capitalizar o desgaste da direita. Analistas preveem que o "voto útil" anti-PT pode migrar para Tarcísio ou Ratinho Jr., nomes com viabilidade eleitoral maior. Com o Natal e o Ano Novo se aproximando, a pré-campanha de 2026 ganha contornos de novela familiar: será que Flávio, com 8%, consegue reverter o favoritismo de Michelle nos próximos meses?
A pesquisa, encomendada pelo Poder360, reforça que o bolsonarismo segue vivo, mas precisa de um rosto novo para 2026 – e, pelo Datafolha, esse rosto ainda não é o do senador carioca.
