Aviões chineses miram radares em caças japoneses: Tóquio acusa Pequim de ação
Incidente marca nova escalada nas tensões entre as potências asiáticas, em meio a exercícios militares e disputas sobre Taiwan
Em um episódio que reacende temores de confronto no Mar do Leste da China, o governo japonês acusou aviões de caça da Marinha chinesa de terem direcionado radares de "ataque potencial" contra duas aeronaves de defesa do Japão, em águas internacionais a sudeste de Okinawa. O caso, ocorrido no sábado (6 de dezembro de 2025), foi classificado como "perigoso" pelas autoridades de Tóquio, que registraram protesto formal junto a Pequim.
Detalhes do incidente: radares como ameaça velada
Os dois caças japoneses foram mobilizados em resposta a um exercício militar chinês no Pacífico, envolvendo o porta-aviões Liaoning e três destróieres de mísseis. De acordo com o Ministério da Defesa japonês, os aviões chineses, lançados do Liaoning, iluminaram os radares das aeronaves japonesas de forma que excedeu o necessário para um voo seguro. Essa "iluminação de radar" é interpretada como um sinal de possível mira de mísseis, já que os sistemas de caças servem tanto para localização quanto para guiamento de projéteis, deixando o piloto alvo sem certeza das intenções adversárias.
Não houve danos aos pilotos ou aeronaves japonesas, que mantiveram distância segura e evitaram ações provocativas. O episódio se desenrolou em águas internacionais, mas próximo ao Estreito de Miyako, uma rota estratégica para a Marinha chinesa acessar o oceano aberto.
Declarações oficiais: protesto japonês e réplica chinesa
O ministro da Defesa japonês, Shinjiro Koizumi, divulgou a acusação via redes sociais, afirmando: "A iluminação do radar [chinês] foi além do que era necessário para o voo seguro da aeronave." Ele enfatizou que o Japão responderia de forma "resoluta e calma" para preservar a paz e a estabilidade regional, e confirmou o envio de protesto diplomático a Pequim.
Do lado chinês, um porta-voz da Marinha, identificado como Wang, rebateu as alegações em comunicado oficial, acusando os aviões japoneses de "se aproximarem repetidamente e interferirem" em um exercício de treinamento aéreo anunciado previamente, realizado a leste do Estreito de Miyako. "Exigimos solenemente que o lado japonês pare imediatamente de difamar e caluniar e restrinja rigorosamente as ações na linha de frente", declarou Wang, adicionando que a Marinha chinesa tomaria "medidas necessárias" para proteger sua segurança e direitos legítimos.
Contexto amplo: Taiwan no centro das tensões
O incidente ocorre em meio a uma das piores crises diplomáticas entre Japão e China em anos, agravada por disputas sobre Taiwan – território reivindicado por Pequim e a apenas 110 km da ilha japonesa de Yonaguni. A nova primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, alertou recentemente que qualquer ação militar chinesa contra Taiwan que ameace a segurança japonesa provocaria resposta de Tóquio, o que gerou retaliações econômicas e culturais da China: alertas de viagem contra o Japão, proibições a importações de frutos do mar japoneses e suspensão de licenças para filmes e programas nipônicos.
Na quinta-feira (4 de dezembro), a China mobilizou mais de 100 navios de guerra e da guarda costeira em águas do Leste Asiático, em uma demonstração de força naval. O governo de Taiwan classificou a manobra como "ameaça ao Indo-Pacífico", enquanto o Japão monitora de perto as atividades chinesas. Como sede da maior concentração de forças militares dos EUA fora do território americano – incluindo navios, aviões e milhares de fuzileiros em Okinawa –, o Japão se beneficia de alianças que complicam qualquer escalada.
Nos bastidores, o presidente americano Donald Trump, que planeja visita à China em 2026, pediu à premiê Takaichi em ligação de novembro para evitar escaladas com Pequim. Já o presidente chinês Xi Jinping explicou a Trump, em conversa telefônica, que Taiwan deve "retornar ao seio chinês".
Reações e implicações: risco de instabilidade regional
O Japão reiterou seu compromisso com uma resposta "resoluta, mas calma", visando evitar uma espiral de confrontos. A China, por sua vez, negou qualquer mira intencional e acusou Tóquio de "calúnia", reforçando sua narrativa de defesa soberana. Não há reações imediatas de outros atores globais no artigo, mas o episódio destaca o frágil equilíbrio no Indo-Pacífico, onde exercícios militares rotineiros podem virar pontos de ignição.
Analistas veem o caso como mais um sinal de que as tensões sino-japonesas, alimentadas por Taiwan e rotas marítimas disputadas, podem arrastar potências como EUA e aliados para um conflito maior. Com o Natal se aproximando e negociações bilaterais em banho-maria, o incidente serve de lembrete: na Ásia, um radar aceso pode ser o primeiro flash de uma guerra fria virando quente.
