Brasil registra 4 feminicídios por dia em 2025 e mulheres vão às ruas em várias capitais
Queremos viver sem medo: centenas protestam em BH contra onda de violência de gênero
Belo Horizonte (MG) – Centenas de mulheres ocuparam neste domingo (7) a Praça Raul Soares, no centro de Belo Horizonte, em um ato contra o feminicídio que reuniu gritos de ordem, cartazes roxos e a leitura de nomes de vítimas recentes. A manifestação fez parte de uma série de protestos simultâneos em ao menos oito capitais brasileiras.
Com faixas onde se lia “Nenhuma a menos” e “Quem ama não mata”, as participantes marcharam até a Praça Sete e retornaram ao ponto inicial sem registros de incidentes. A Polícia Militar acompanhou o ato à distância.
“Chegamos ao fundo do poço”, disse Myriam Christus, coordenadora do movimento Quem Ama Não Mata, uma das organizadoras. Ela citou casos que chocaram o país nas últimas semanas: o arrastamento de Tainá Canário, em Minas Gerais; o assassinato de quatro crianças e da mãe queimados vivos no Ceará; e uma mulher executada com cinco tiros dentro do local de trabalho em São Paulo.
Números alarmantes
Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública divulgados no ato mostram que o Brasil registrou 1.077 feminicídios consumados entre janeiro e setembro de 2025 — média de quatro assassinatos por dia motivados por gênero. Outras 2.700 tentativas foram contabilizadas no mesmo período.
Em Minas Gerais, estado que sediou um dos maiores protestos deste domingo, foram 72 mulheres mortas e 95 tentativas de feminicídio apenas no primeiro semestre. O total de casos de violência doméstica ultrapassou 78 mil denúncias no mesmo intervalo, alta de 26% nas tentativas em relação a 2024.
Cobranças às autoridades
As manifestantes apresentaram uma pauta com quatro pontos principais:
- Ampliação imediata de delegacias especializadas 24 horas
- Cumprimento efetivo de medidas protetivas de urgência
- Mais vagas em casas-abrigo
- Inclusão obrigatória de temas de igualdade de gênero e prevenção à violência nas escolas desde a educação infantil
“Lei no papel a gente já tem. Precisamos de lei na prática”, resumiu Jade Muniz, do Coletivo Clã das Lobas, que representa trabalhadoras sexuais.
Reação do poder público
Até o fechamento desta reportagem, o governo de Minas Gerais não havia se manifestado sobre o protesto. O Ministério das Mulheres informou que estuda a revisão do Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência contra Mulheres e que novas medidas serão anunciadas até o fim do ano.
Atos semelhantes ocorreram em São Paulo (Avenida Paulista), Rio de Janeiro (Candélária), Salvador, Recife, Fortaleza, Porto Alegre e Brasília. As organizadoras já convocam nova mobilização nacional para o Dia Internacional da Mulher, em 8 de março de 2026.
Se você sofre ou conhece alguém em situação de violência, ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou 190 (Polícia Militar). A ligação é gratuita e sigilosa.
