Deputado Sóstenes Cavalcante se pronuncia após operação da PF e nega irregularidades
Deputado do PL defende inocência, explica origem de dinheiro apreendido e cobra investigações equilibradas contra aliados do governo
O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), concedeu uma coletiva de imprensa nesta sexta-feira (19) no Salão Verde da Câmara, um dia após uma operação da Polícia Federal que atingiu parlamentares do partido. Em pronunciamento transmitido ao vivo pelo canal oficial da Câmara dos Deputados, o deputado defendeu a inocência dos investigados, criticou o que chamou de "exagero" na condução da ação policial e acusou o governo de perseguição política à oposição conservadora.
A operação da PF, deflagrada na manhã de 19 de dezembro, envolveu buscas em residências e gabinetes de deputados do PL, incluindo o próprio Sóstenes Cavalcante. Entre os itens apreendidos estavam valores em dinheiro encontrados na casa do parlamentar. Sóstenes explicou que o montante em espécie provém da venda legítima de um imóvel e móveis, recebido de forma selada e devidamente documentada. "Não tenho nada a temer. Tudo será comprovado por advogados e contadores", afirmou, enfatizando que a transação é legal e transparente.
O deputado também questionou a proporcionalidade da operação, citando como exemplo a busca em um veículo alugado por R$ 4.500 mensais, pago com cota parlamentar – prática que, segundo ele, é comum entre deputados de diversos partidos. "Por que tanto alarde para algo rotineiro?", indagou, sugerindo seletividade nas investigações.
Sóstenes estendeu sua defesa aos colegas de partido, como o deputado Jordi, e reforçou a unidade do PL. "O partido permanece unido e oferecerá todo o apoio jurídico e político aos investigados", declarou. Ele criticou o ministro da Justiça, Flávio Dino, e o Supremo Tribunal Federal (STF), mencionando o ministro Alexandre de Moraes, alegando que há uma perseguição sistemática contra conservadores e a oposição. Como contraponto, o parlamentar cobrou investigações sobre casos envolvendo figuras ligadas ao PT, como o filho do presidente Lula, conhecido como Lulinha.
Acompanhado da deputada Bia Kicis (PL-DF), que representou o líder da oposição, Sóstenes fez um apelo ao diálogo democrático e à cautela. "Não podemos permitir julgamentos precipitados. Respeitem o devido processo legal e os direitos constitucionais", pediu, alertando para os riscos à integridade das eleições de 2026.
A coletiva reflete o clima de tensão entre a oposição de direita e o governo federal, em meio a investigações sobre supostas irregularidades no INSS e outros temas. O PL posiciona-se como vítima de uma "narrativa seletiva" por parte das instituições, enquanto promete lutar pela transparência e pela unidade conservadora.
O vídeo da coletiva, publicado no canal oficial da Câmara dos Deputados no YouTube, já acumula milhares de visualizações e reforça o discurso de defesa do partido em um momento de crise política.
