Cirurgia de Bolsonaro terá como objetivo conter crises de soluço, relatam médicos
Ex-presidente será submetido a herniorrafia inguinal bilateral e bloqueio do nervo frênico para tratar hérnia e soluços persistentes, sequelas da facada de 2018
A equipe médica do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) divulgou detalhes nesta segunda-feira (22) sobre a cirurgia autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O procedimento principal visa corrigir uma hérnia inguinal bilateral, diagnosticada após piora progressiva, mas incluirá também um bloqueio anestésico do nervo frênico especificamente para atenuar as crises persistentes de soluço que afligem Bolsonaro há meses.
De acordo com informe assinado pelos médicos Claudio Birolini (cirurgião-geral) e Leandro Echenique (cardiologista), os soluços são causados por uma lesão em nervo do tronco, sequela de cirurgias anteriores decorrentes da facada sofrida em setembro de 2018. "Considerando a presença de soluços persistentes e refratários ao tratamento medicamentoso instituído, está programado, durante o período de internação hospitalar, a realização de bloqueio anestésico do nervo frênico, com a finalidade de atenuar as crises de soluços", afirmaram os profissionais.
A hérnia inguinal bilateral foi confirmada por exames clínicos e de imagem, com projeção de parte do intestino para fora da parede abdominal. Os soluços frequentes aumentam a pressão intra-abdominal, agravando o quadro herniário e elevando riscos de complicações como encarceramento ou estrangulamento intestinal.
A autorização para a cirurgia veio na sexta-feira (19), após perícia médica da Polícia Federal concluir que Bolsonaro necessita de reparo cirúrgico em caráter eletivo – ou seja, necessário, mas sem urgência imediata. Os peritos recomendaram a intervenção "o mais breve possível", especialmente para os soluços, que prejudicam sono e alimentação e não responderam a tratamentos medicamentosos ou alternativos como acupuntura.
A data exata do procedimento ainda não foi definida e dependerá de sugestão da defesa de Bolsonaro ao STF. Ambos os procedimentos – herniorrafia e bloqueio do nervo frênico – serão realizados durante a mesma internação hospitalar, com tempo de permanência estimado entre 5 e 7 dias.
O quadro de saúde de Bolsonaro tem sido central em debates judiciais desde sua prisão preventiva, decretada em contexto de investigações sobre tentativa de golpe. A defesa pediu repetidamente prisão domiciliar humanitária, negada por Moraes, alegando incompatibilidade do ambiente prisional com as condições do ex-presidente. Os soluços retornaram de forma persistente após a última cirurgia abdominal, há cerca de sete meses.
A notícia, inicialmente publicada pela Revista Oeste e repercutida em diversos veículos, reforça as sequelas de longo prazo da tentativa de assassinato sofrida por Bolsonaro em 2018, que resultou em múltiplas intervenções cirúrgicas. O caso segue acompanhado de perto por aliados e opositores, em meio ao cenário político polarizado.
