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Publicado: 22 de dezembro de 2025 às 14:17

Alexandre de Moraes teria procurado presidente do BC para interceder pelo Banco Master, diz O Globo

Ministro do STF fez ao menos quatro contatos com Gabriel Galípolo para tratar de venda ao BRB; escritório da esposa tinha contrato milionário com o banco liquidado

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), procurou o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, ao menos quatro vezes – três por telefone e uma presencial – para pressionar em favor do Banco Master, controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro. A informação foi publicada nesta segunda-feira (22) pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, com base em relatos de seis fontes anônimas ouvidas nas últimas semanas.

Os contatos ocorreram em julho de 2025, meses antes da prisão de Vorcaro e da decretação da liquidação extrajudicial do Master pelo BC, em novembro. Moraes teria buscado informações sobre o andamento da operação de venda do banco ao Banco de Brasília (BRB) e pedido que o negócio fosse aprovado. Segundo os relatos, o ministro afirmou gostar de Vorcaro e que o Master era perseguido por estar ganhando espaço dos grandes bancos – argumento frequentemente usado pelo próprio banqueiro.

Galípolo teria respondido que técnicos do BC identificaram fraudes no repasse de R$ 12,2 bilhões em créditos do Master para o BRB. Diante disso, Moraes reconheceu que, se comprovada a irregularidade, não haveria como aprovar a transação.

O caso ganha contornos sensíveis porque o escritório de advocacia Barci de Moraes, comandado por Viviane Barci de Moraes (esposa do ministro) e com participação de filhos do casal, mantinha contrato com o Master prevendo pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões por três anos, totalizando cerca de R$ 129 milhões a partir de janeiro de 2024. O acordo incluía representação dos interesses do banco e de Vorcaro junto a órgãos como BC, Receita Federal, Cade e Congresso. Apesar disso, consultas via Lei de Acesso à Informação indicam que não há registro de atuações do escritório nesses órgãos em favor do Master.

Procurados pela reportagem, o STF não respondeu, e o Banco Central informou que não comentará o assunto. Não há manifestação oficial de Moraes ou Galípolo sobre os contatos.

A revelação amplifica debates sobre possíveis conflitos de interesse, especialmente porque o caso do Master chegou ao STF posteriormente, com ações envolvendo a liquidação e investigações da PF sobre fraudes. A oposição tem criticado o que chama de seletividade em apurações envolvendo figuras próximas ao Judiciário, enquanto o governo e aliados defendem a independência das instituições.

A notícia, repercutida em diversos veículos como Valor Econômico, CBN, UOL e O Antagonista, domina o noticiário político nesta segunda-feira, alimentando discussões sobre transparência e limites éticos no sistema financeiro e judicial brasileiro.