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Publicado: 23 de dezembro de 2025 às 08:26

Senador Alessandro Vieira anuncia coleta de assinaturas para CPI sobre Moraes e Banco Master

Parlamentar do MDB-SE promete investigar contrato milionário do escritório da esposa do ministro e suposta intercessão junto ao Banco Central após recesso legislativo

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) anunciou nesta segunda-feira (22) que, após o recesso parlamentar, iniciará a coleta de assinaturas para instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado. O objetivo é apurar denúncias envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o Banco Master, liquidado extrajudicialmente em novembro pelo Banco Central após investigações de fraudes.

Em publicação nas redes sociais, Vieira compartilhou reportagem da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, e declarou: "Após o recesso vou coletar as assinaturas para investigação de notícias sobre um contrato entre o banco Master e o escritório da família do ministro Moraes, de 129 milhões de reais, fora do padrão da advocacia, além desta notícia de atuação direta do ministro em favor do banco". Ao Estadão, o senador classificou as informações como "gravíssimas" e afirmou que, se confirmadas, seriam "absolutamente incompatíveis com a magistratura".

Os pontos centrais da proposta de investigação são:

  • Contrato milionário: Acordo firmado em janeiro de 2024 entre o Banco Master, de Daniel Vorcaro (preso em novembro), e o escritório Barci de Moraes Associados, comandado por Viviane Barci de Moraes (esposa de Moraes) e com participação de filhos do casal. O contrato previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões por três anos, totalizando cerca de R$ 129 milhões, para representação em órgãos como Banco Central, Receita Federal, Cade e Congresso.
  • Suposta intercessão: Moraes teria contatado o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ao menos quatro vezes (três por telefone e uma presencial) em julho de 2025 para pressionar pela aprovação da venda do Master ao Banco de Brasília (BRB). O ministro teria expressado simpatia por Vorcaro e argumentado que o banco era "perseguido" por ganhar espaço de grandes instituições. Galípolo informou sobre fraudes em repasses de R$ 12,2 bilhões, o que inviabilizaria o negócio.

Para instalar uma CPI no Senado, são necessárias 27 assinaturas de senadores (um terço dos 81 membros), além de fato determinado e prazo definido. A iniciativa de Vieira, parlamentar conhecido por posições independentes e críticas a abusos de poder, ganhou repercussão imediata em veículos como O Globo, Estadão, Metrópoles e portais conservadores.

Até o momento, nem o STF nem Alexandre de Moraes se manifestaram sobre a proposta. O Banco Central também não comentou especificamente os contatos alegados. A notícia amplifica o debate sobre conflitos de interesse no Judiciário, em meio a outras críticas à conduta de Moraes em investigações envolvendo opositores políticos.

A movimentação ocorre às vésperas do recesso de fim de ano no Congresso, com retorno previsto para fevereiro de 2026. Caso avance, a CPI poderia convocar testemunhas, quebrar sigilos e requisitar documentos, intensificando as tensões entre Legislativo e STF em um ano pré-eleitoral.