TikTok fecha acordo com investidores americanos e evita banimento nos EUA
ByteDance forma joint venture com Oracle, Silver Lake e MGX para controle majoritário nos EUA; transação inclui proteção de dados e algoritmo local, com conclusão prevista para janeiro
O TikTok, aplicativo de vídeos curtos pertencente à chinesa ByteDance, anunciou nesta quinta-feira (18) a assinatura de acordos vinculativos para criar uma joint venture que transferirá o controle de suas operações nos Estados Unidos para investidores americanos e globais. A medida evita o banimento da plataforma no país, previsto em lei federal que exigia a venda ou proibição a partir de janeiro de 2026 devido a preocupações com segurança nacional.
Segundo memorando interno do CEO Shou Zi Chew, acessado por agências como Associated Press e Reuters, a nova entidade será controlada por Oracle, Silver Lake e MGX (fundo de investimento de Abu Dhabi), que deterão coletivamente 45% (15% cada), com governança majoritariamente americana em um conselho de sete membros. Afiliados de acionistas atuais da ByteDance ficarão com 30,1%, e a própria ByteDance manterá 19,9%. A ByteDance continuará envolvida em operações como e-commerce, publicidade e marketing, mas com supervisão reforçada nos EUA.
O acordo inclui medidas de segurança: dados de usuários americanos serão armazenados em nuvem gerenciada pela Oracle, com auditoria independente; o algoritmo de recomendação será ajustado com base em dados locais para evitar manipulação externa; e políticas de moderação de conteúdo passarão por supervisão americana. "A joint venture operará como entidade independente, com autoridade sobre proteção de dados, segurança do algoritmo e moderação", afirmou Chew no memorando.
A lei que motivou o acordo foi aprovada pelo Congresso em 2024 e sancionada por Joe Biden, exigindo a desvinculação da ByteDance até 19 de janeiro de 2025 (posteriormente adiada). Preocupações envolvem acesso potencial do governo chinês a dados de 170 milhões de usuários americanos ou influência via algoritmo. O presidente Donald Trump, que iniciou pressões em seu primeiro mandato, estendeu prazos múltiplas vezes em 2025 para facilitar negociações, creditando o app por ajudar em sua reeleição e mantendo conta pessoal com milhões de seguidores.
A transação deve ser concluída até 22 de janeiro de 2026, sujeita a aprovações regulatórias nos EUA e na China. Críticos, como a senadora Elizabeth Warren (democrata), questionam o acordo por concentrar controle em "bilionários aliados de Trump", como Larry Ellison (fundador da Oracle). A Casa Branca e o TikTok destacam que o modelo preserva a plataforma para usuários americanos, mantendo-a como "comunidade global vital".
A notícia, repercutida por veículos como The Guardian, BBC, The New York Times, Reuters e ABC News, encerra anos de incerteza jurídica e diplomática entre EUA e China. Para criadores de conteúdo e anunciantes, o impacto imediato é mínimo, com continuidade das operações garantida. O caso reforça debates sobre soberania digital e regulação de big techs estrangeiras.
