Suspeita de 'lista' de autoridades ligadas ao Banco Master agita os três Poderes
Coluna de Cláudio Humberto aponta suposta relação privilegiada de Daniel Vorcaro com figuras influentes; sigilo total imposto por STF e TCU alimenta especulações sobre proteção a envolvidos
O escândalo envolvendo o Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro, ganha novos contornos com a suspeita de uma "lista" de autoridades, políticos e figuras influentes no "ecossistema" de relações privilegiadas do banqueiro Daniel Vorcaro, preso pela Polícia Federal. A informação, publicada nesta quinta-feira (25) na coluna de Cláudio Humberto no Diário do Poder, descreve o caso como "nitroglicerina pura" devido ao potencial terremoto político, ao sugerir proximidade de Vorcaro com representantes dos três Poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário.
Segundo a coluna, o véu de sigilo nas investigações explicaria a restrição de acesso a dados sensíveis. A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, que apura fraudes bilionárias em consignados, foi proibida de consultar informações da quebra de sigilos de Vorcaro e do Master, onde possíveis "pagamentos" disfarçados poderiam ser revelados. O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), transferiu o caso para a Corte alegando "riscos ao mercado financeiro" após menção a um deputado, impondo segredo total. O Tribunal de Contas da União (TCU) também decretou sigilo absoluto em suas apurações relacionadas.
A suspeita surge em meio a denúncias recentes, como o contrato milionário (R$ 129 milhões) do escritório da esposa do ministro Alexandre de Moraes com o Master, e relatos de contatos de Moraes com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, sobre a tentativa de venda do banco ao BRB – vetada por irregularidades. Vorcaro, preso em novembro durante tentativa de viagem internacional, é investigado por gestão fraudulenta e fraudes estimadas em bilhões.
A coluna não cita nomes específicos na suposta "lista", mantendo-se em alegações genéricas de proximidade com autoridades. A publicação foi repercutida em blogs e portais conservadores, ampliando especulações sobre seletividade nas investigações. Até o momento, não há confirmação oficial da existência de tal lista, e o STF, TCU e BC não comentaram as suspeitas.
O caso reforça tensões institucionais, com opositores criticando o sigilo como blindagem potencial a aliados, enquanto defensores das apurações argumentam necessidade de proteção ao sistema financeiro. A controvérsia deve ganhar força em 2026, ano eleitoral, alimentando debates sobre transparência e conflitos de interesse nos Poderes da República.
