Moraes nega pressão ao Banco Central em favor do Master e diz que escritório da esposa não atuou no órgão
Ministro do STF rebate reportagem do O Globo e afirma que contatos com Gabriel Galípolo foram apenas para obter informações; contrato de R$ 129 milhões com o banco não envolveu representação no BC
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou nova nota pública nesta terça-feira (23) em que nega veementemente ter pressionado o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em favor do Banco Master, liquidado extrajudicialmente em novembro. A declaração é resposta direta à reportagem da colunista Malu Gaspar, publicada no O Globo, que apontava ao menos quatro contatos (três telefônicos e um presencial) do ministro com Galípolo em julho de 2025, quando se discutia a tentativa de venda do Master ao Banco de Brasília (BRB).
Na nota, Moraes afirma que os contatos ocorreram exclusivamente para obter informações sobre o andamento do processo de venda e que, ao ser informado sobre irregularidades detectadas pelos técnicos do BC, reconheceu que o negócio não poderia ser aprovado. "Não houve qualquer tipo de pressão ou interferência indevida", destacou o ministro, classificando as alegações de "falsas e irresponsáveis".
Sobre o contrato de R$ 129 milhões firmado em janeiro de 2024 entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Associados – comandado por Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, e com participação de filhos do casal –, Moraes reiterou que o acordo não incluía representação junto ao Banco Central. "O escritório nunca atuou no Banco Central em nome do Master ou de qualquer outro cliente", declarou, acrescentando que o contrato era restrito a outras instituições (como Receita Federal, Cade e Congresso) e que não há registro de qualquer atuação no BC.
A nota também critica o que chama de "campanha de desinformação" e afirma que o ministro "jamais se envolveu em questões que pudessem gerar conflito de interesse". Moraes reforçou que, quando o caso do Master chegou ao STF em ações posteriores à liquidação, ele se declarou impedido de julgar processos relacionados ao banco, evitando qualquer participação.
A reação do ministro ocorre em meio a crescente pressão da oposição, que cobra investigação sobre possível conflito de interesse. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) anunciou intenção de coletar assinaturas para uma CPI no Senado sobre o caso, e a coluna de Cláudio Humberto no Diário do Poder levantou suspeitas de uma "lista" de autoridades próximas ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso desde novembro.
Até o momento, o Banco Central e Gabriel Galípolo não se manifestaram sobre a nota de Moraes. A Procuradoria-Geral da República e o Conselho Nacional de Justiça também não comentaram. O episódio continua a alimentar debates sobre transparência, limites éticos e seletividade nas investigações envolvendo figuras do Judiciário e do sistema financeiro.
