Oposição anuncia novo pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes por suposta interferência no caso Banco Master
Parlamentares bolsonaristas protocolam denúncia no Senado alegando advocacia administrativa e conflito de interesse; ministro nega irregularidades e classifica acusações como "falsas"
A oposição ao governo Lula, liderada por deputados e senadores do PL e Republicanos, anunciou e protocolou nos últimos dias um novo pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A iniciativa, divulgada inicialmente pelo deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), líder da oposição na Câmara, ganhou força com ações de senadores como Damares Alves (Republicanos-DF), Marcelo van Hattem e Eduardo Girão, que apresentaram queixa-crime à Procuradoria-Geral da República (PGR) e denúncia direta ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Os pedidos baseiam-se em reportagem da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, que revelou ao menos quatro contatos de Moraes com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em julho de 2025, para acompanhar a tentativa de venda do Banco Master – liquidado extrajudicialmente em novembro por fraudes – ao Banco de Brasília (BRB). Os parlamentares alegam advocacia administrativa (crime de responsabilidade), conflito de interesse e abuso de poder, citando o contrato de R$ 129 milhões entre o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes (esposa do ministro) e o banco de Daniel Vorcaro (preso desde novembro).
No documento protocolado, os senadores afirmam que Moraes "valeu-se de sua posição e influência para atuar em defesa de interesses privados", configurando conduta "incompatível com a dignidade do cargo" e risco sistêmico à legitimidade do STF. A liderança da oposição na Câmara destacou: "Diante das graves denúncias, estamos protocolando um pedido de impeachment contra o magistrado".
Moraes rebateu as acusações em nota, negando pressão ou interferência: os contatos com Galípolo trataram exclusivamente dos efeitos da Lei Magnitsky (sanções americanas aplicadas contra ele e familiares, revogadas em dezembro). "Não houve qualquer tipo de pressão referente à aquisição do BRB pelo Banco Master", afirmou, reforçando que o escritório da esposa nunca atuou no BC em nome do Master.
A tramitação depende de Alcolumbre, que pode arquivar ou admitir a denúncia – historicamente, pedidos semelhantes contra ministros do STF foram engavetados. A PGR, sob Paulo Gonet, avaliará a queixa-crime. O caso amplifica tensões entre oposição conservadora e o Judiciário, em meio a outras iniciativas como a proposta de CPI do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) sobre o mesmo tema.
Esse é o mais recente de dezenas de pedidos de impeachment contra Moraes, impulsionados por críticas a suas decisões em investigações sobre fake news, atos golpistas e desinformação. A controvérsia deve dominar o retorno do Congresso em 2026, alimentando o debate sobre limites institucionais e imparcialidade no STF.
