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Publicado: 30 de dezembro de 2025 às 08:46

Vorcaro se reuniu com diretor do BC horas antes de ser preso pela PF

Dono do Banco Master participou de videoconferência com Aílton de Aquino Santos no dia 17 de novembro, mesmo em que tentou embarcar para Malta; defesa usa ata da reunião para negar fuga

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master (liquidado extrajudicialmente em novembro por suspeitas de fraudes bilionárias), participou de uma videoconferência de 40 minutos com o diretor de Fiscalização do Banco Central (BC), Aílton de Aquino Santos, e Belline Santana, chefe do Departamento de Supervisão Bancária, no dia 17 de novembro – horas antes de ser preso pela Polícia Federal (PF) no Aeroporto de Guarulhos, ao tentar embarcar em jato particular para Malta.

Durante a reunião, Vorcaro informou verbalmente sobre negociações para uma "solução de mercado" ao Conglomerado Master e mencionou viagem a Dubai para encontro com investidores. A ata da videoconferência, redigida pelo próprio banco sem gravação, foi usada pela defesa para justificar a viagem e contestar risco de fuga. O BC, porém, negou ter recebido comunicado oficial ou registro escrito sobre a transação com grupo estrangeiro.

Vorcaro foi detido preventivamente às 22h de 17 de novembro, sob suspeita de saída irregular do país. A prisão ocorreu no contexto da Operação Compliance Zero, que investiga gestão fraudulenta e fraudes estimadas em R$ 12 bilhões, incluindo venda de carteiras de crédito supostamente falsas ao Banco de Brasília (BRB).

A desembargadora Solange Salgado, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), citou a comunicação ao BC como prova de que Vorcaro informou previamente a viagem, substituindo a prisão preventiva por domiciliar com tornozeleira em 28 de novembro.

No Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Dias Toffoli agendou para esta terça-feira (30) depoimentos sigilosos de Vorcaro, Aílton de Aquino e Paulo Henrique Costa (ex-presidente do BRB), às 14h, conduzidos pela delegada Janaína Palazzo. Pode haver acareação se solicitado pela PF, com juiz auxiliar presente.

A reportagem destaca contradições: técnicos do BC relataram pressões políticas incomuns para aprovar vendas do Master ou adiar intervenção, apesar de propostas inviáveis. O caso amplifica investigações sobre o banco, incluindo contratos milionários e contatos com autoridades, em meio a sigilo imposto pelo STF.

A notícia reforça o escrutínio sobre o colapso do Master e relações com instituições financeiras e políticas, com desdobramentos judiciais em curso durante o recesso.