Liquidação do Banco Master expõe fraudes bilionárias e pressões inéditas sobre o Banco Central
Dois meses após intervenção do BC, Judiciário, Legislativo e TCU questionam decisão; caso envolve suspeitas de R$ 12 bilhões em fraudes e tensões institucionais
Dois meses após o Banco Central (BC) decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master em 18 de novembro de 2025, a instituição enfrenta pressões simultâneas e inéditas do Supremo Tribunal Federal (STF), Congresso Nacional e Tribunal de Contas da União (TCU). O caso revela fraudes contábeis estimadas em R$ 12 bilhões, crise grave de liquidez e suspeitas de interferências externas na supervisão bancária.
O BC justificou a medida por riscos excessivos, falta de documentação viável e indícios de irregularidades graves detectados em investigações da Operação Compliance Zero da Polícia Federal (PF). No dia da liquidação, o Master tinha apenas R$ 4,8 milhões em caixa livre, contra vencimentos imediatos de R$ 48,6 milhões em CDBs – dez vezes mais. O recolhimento compulsório devido era de R$ 2,53 bilhões, mas o banco havia depositado menos de R$ 25 milhões.
O esquema fraudulento envolvia "limpeza contábil" via fundos estruturados pela Reag Trust (investigada por lavagem de dinheiro ligada ao PCC), com aportes de R$ 11,5 bilhões para compra de ativos ruins do próprio Master, mascarando déficit patrimonial e mantendo índices regulatórios artificiais.
Pressões institucionais:
- TCU: Em 2 de janeiro de 2026, o ministro Vital do Rêgo classificou como "comum" uma inspeção para avaliar documentação da liquidação, identificando supostas lacunas.
- STF: O ministro Dias Toffoli, relator, determinou acareação entre Daniel Vorcaro (controlador do Master), Paulo Henrique Costa (ex-presidente do BRB) e Ailton de Aquino Santos (diretor de Fiscalização do BC). Após questionamentos da PGR e BC, Toffoli recuou parcialmente, priorizando depoimentos individuais pela PF antes de eventual acareação.
- Congresso: O deputado Carlos Jordy (PL-RJ) articula CPMI sobre o caso, com protocolo previsto para fevereiro de 2026. A oposição também impulsiona pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, citando contrato de R$ 129 milhões do escritório de sua esposa com o Master.
As investigações criminais avançam: Em 31 de dezembro de 2025, a PF ouviu Vorcaro (que negou delação e alegou surpresa com a liquidação), Costa (defendeu ações no BRB) e Aquino. Novos depoimentos estão agendados para janeiro.
Especialistas alertam que intervenções simultâneas podem criar precedentes perigosos para a autonomia do BC e estabilidade financeira, especialmente às vésperas de 2026. Entidades como a Febraban defenderam a independência técnica do regulador contra "ingerências". O caso destaca vulnerabilidades em bancos médios e o peso de articulações políticas no sistema financeiro brasileiro.
