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Publicado: 03 de janeiro de 2026 às 09:45

PF considera foragido presidente do Instituto Voto Legal após ordem de prisão domiciliar de Moraes

Carlos César Moretzsohn Rocha, condenado por relatório que questionava urnas em 2022, não foi localizado em endereço registrado; título de "criador da urna eletrônica" é impreciso e contestado

A Polícia Federal (PF) passou a considerar foragido o engenheiro Carlos César Moretzsohn Rocha, presidente do Instituto Voto Legal (IVL), após não localizá-lo para cumprir mandado de prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica. A ordem foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em 27 de dezembro de 2025, como parte de operação que atingiu dez condenados por envolvimento em trama golpista pós-eleições de 2022.

Rocha foi condenado pela Primeira Turma do STF a 7 anos e 6 meses de prisão em regime semiaberto por participação no chamado "núcleo 4" da organização criminosa, responsável por produzir e disseminar narrativas falsas sobre as urnas eletrônicas. O IVL foi contratado pelo Partido Liberal (PL), então presidido por Valdemar Costa Neto, para auditar o sistema eleitoral de 2022. O relatório produzido pelo instituto serviu de base para ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que tentava anular votos do segundo turno, alegando supostas irregularidades – tese rejeitada pelo Judiciário por falta de provas.

A defesa de Rocha argumenta que o trabalho teve caráter técnico e de auditoria, sem intenção de afirmar fraudes ou deslegitimar as eleições, apenas levantando "observações". No entanto, o STF entendeu que o objetivo era "desacreditar as eleições para permanecer no poder".

Contexto da operação: A prisão domiciliar foi decretada um dia após a tentativa de fuga do ex-diretor da PRF Silvinei Vasques (capturado no Paraguai). Moraes converteu medidas cautelares em domiciliar para evitar evasões, impondo restrições como entrega de passaportes, proibição de redes sociais e visitas limitadas. Agentes da PF foram ao endereço de Rocha em São Paulo, mas constataram que ele não reside mais lá há meses. A defesa não informou o novo local.

Caso Rocha não se apresente, Moraes pode converter a domiciliar em prisão preventiva. Em mensagem à imprensa, o engenheiro disse estar vivendo um "momento difícil" e evitou comentar o status de foragido.

Sobre o título "criador da urna": Algumas reportagens e postagens em redes chamam Rocha de "criador da urna eletrônica", mas isso é contestado. O verdadeiro desenvolvimento da urna envolveu equipe coletiva do TSE a partir de 1995, com destaque para Giuseppe Janino (secretário de TI do TSE por anos, conhecido como "pai da urna"). Rocha participou de processos relacionados à patente em 2002, mas não é o inventor principal.

O caso reforça tensões entre STF e investigados em ações sobre ataques à democracia, com críticas de setores conservadores à decisão de Moraes. A operação cumpriu mandados em oito estados e DF, atingindo militares e ex-assessores de Jair Bolsonaro. Rocha recorre da condenação em liberdade até o momento.