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Publicado: 04 de janeiro de 2026 às 10:50

Ditadores e regimes autoritários defendem Nicolás Maduro após captura pelos EUA

vários líderes e países classificados como ditaduras ou regimes autoritários condenaram veementemente a ação dos EUA, defendendo a soberania venezuelana

A captura de Nicolás Maduro por forças especiais americanas, em operação militar anunciada por Donald Trump, expôs uma clara divisão global: enquanto democracias ocidentais e governos de direita celebraram o fim de um regime considerado autoritário, vários líderes e países classificados como ditaduras ou regimes autoritários condenaram veementemente a ação dos EUA, defendendo a soberania venezuelana e, indiretamente, o legado de Maduro.

Essa solidariedade entre autoritários não é coincidência: regimes que concentram poder, reprimem oposição e violam direitos humanos frequentemente se apoiam mutuamente para legitimar sua permanência no poder, rejeitando intervenções externas que poderiam servir de precedente contra eles mesmos. A defesa comum da "não-intervenção" e da soberania serve como escudo contra pressões internacionais por democracia.

Principais regimes autoritários que condenaram a ação dos EUA e apoiaram Maduro/soberania venezuelana:

  • China (regime partidário único comunista, autoritário): Exigiu "libertação imediata" de Maduro e esposa, classificando a operação como "comportamento hegemônico" e "violação flagrante" do direito internacional. Pequim, maior credor e parceiro comercial da Venezuela, vê na intervenção ameaça à sua influência global.
  • Rússia (autoritarismo competitivo sob Putin): Condenou como "grave violação da soberania" e "agressão armada inaceitável", expressando solidariedade ao povo venezuelano. Moscou, aliado militar de Caracas, teme precedente para suas ações na Ucrânia.
  • Cuba (ditadura comunista): Denunciou como "agressão militar covarde" e "terrorismo de Estado", mobilizando manifestações em Havana. Havana, dependente historicamente da Venezuela para petróleo subsidiado, vê na queda de Maduro risco à sua própria sobrevivência.
  • Irã (teocracia autoritária): Classificou como "violação flagrante da soberania" e apelou ao Conselho de Segurança da ONU para responsabilizar os EUA. Teerã, parceiro antiocidental de Caracas, compartilha narrativas contra "imperialismo americano".
  • Coreia do Norte (ditadura personalista hereditária): Considerou "grave violação da soberania" e ato de hegemonia, condenando veementemente os EUA.
  • Belarus (ditadura sob Lukashenko): Condenou categoricamente como "agressão americana".

Outros aliados menores, como Nicarágua (sob Daniel Ortega, autoritário) e Bolívia (embora mais híbrido), ecoaram condenações semelhantes.

Por que autoritários se unem em defesa de Maduro?

  • Medo de precedente: Uma intervenção bem-sucedida contra um regime autoritário pode inspirar ações semelhantes contra eles (ex.: China em Taiwan, Rússia na Ucrânia).
  • Alianças antiocidentais: Formam blocos como o "eixo da resistência" (Irã, Venezuela, Rússia) ou parcerias econômicas (China-Venezuela) para contrabalançar influência dos EUA.
  • Narrativa comum: Usam princípios da ONU (soberania, não-intervenção) para blindar repressão interna, mesmo violando direitos humanos.

Em contraste, líderes democráticos ou de direita (como Javier Milei na Argentina, Gabriel Boric no Chile – apesar de condenar a intervenção – e governos europeus) focaram na ilegitimidade de Maduro ou pediram moderação, sem defender o regime.

Essa aliança entre autoritários reforça a polarização global: de um lado, defesa da "ordem multilateral" (mas seletiva); do outro, celebração do fim de um governo acusado de narcoterrorismo e crise humanitária. O caso Maduro ilustra como ditaduras se protegem mutuamente em tempos de crise.