Papa Leão XIV pede garantias à soberania da Venezuela e prioriza bem-estar da população
Pontífice americano expressa "profunda preocupação" com intervenção dos EUA e apela por justiça, paz e respeito aos direitos humanos no país
O papa Leão XIV, primeiro pontífice nascido nos Estados Unidos, manifestou "profunda preocupação" com a situação na Venezuela após a captura do presidente Nicolás Maduro em operação militar americana. Em declaração após a oração do Angelus na Praça de São Pedro, neste domingo (4), o líder da Igreja Católica defendeu que a Venezuela "deve permanecer um país independente" e que o "bem-estar do amado povo venezuelano deve prevalecer sobre todas as outras considerações".
"O bem-estar do amado povo venezuelano deve prevalecer sobre todas as outras considerações e levar à superação da violência e ao início de caminhos de justiça e paz, garantindo a soberania do país", afirmou Leão XIV. O papa apelou pelo respeito aos "direitos humanos e civis de cada um e de todos", invocando a intercessão de Nossa Senhora de Coromoto, padroeira da Venezuela, e dos beatos José Gregório Hernández e Irmã Carmen Rendiles.
A declaração ocorre um dia após a operação anunciada pelo presidente Donald Trump, que resultou na detenção de Maduro e sua esposa, Cilia Flores, com remoção do país para julgamento nos EUA por narcoterrorismo. Leão XIV já havia criticado soluções violentas em dezembro de 2025, pedindo diálogo entre as partes.
Perfil do papa e laços com a América Latina: Eleito em 2025, Leão XIV (ex-cardeal Robert Prevost, de Chicago) é o primeiro papa americano da história. Missionário no Peru por quase três décadas, onde se naturalizou cidadão peruano, ele tem forte vínculo com a região. Sua posição equilibra origem americana com defesa tradicional do Vaticano por não-intervenção e direitos humanos.
A declaração do papa alinha-se a condenações de países como China, Rússia, Cuba, Irã e Brasil, que veem a ação como violação da soberania. O Vaticano acompanha a crise venezuelana há anos, com apelos recorrentes por ajuda humanitária e fim da repressão política.
Reações destacam o peso moral da intervenção papal em um momento de polarização global. O papa não comentou as acusações contra Maduro, focando no sofrimento do povo e na estabilidade regional. O Vaticano mantém canais diplomáticos abertos com Caracas e Washington, posicionando-se como mediador potencial.
