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Publicado: 05 de janeiro de 2026 às 08:08

Impacto da Ação Americana na Venezuela nos Preços do Petróleo

os preços registraram queda modesta nesta segunda-feira. O barril de Brent (referência global) está cotado em torno de US$ 60, enquanto o WTI (referência americana) gira em torno de US$ 57

A operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura de Nicolás Maduro gerou volatilidade inicial nos mercados de petróleo, mas os preços registraram queda modesta nesta segunda-feira. O barril de Brent (referência global) está cotado em torno de US$ 60, enquanto o WTI (referência americana) gira em torno de US$ 57, com variações negativas de até 1%.

Reação imediata do mercado

Nos primeiros momentos após a notícia (fim de semana de 3-4 de janeiro), analistas esperavam um spike altista devido ao risco geopolítico e possível interrupção na produção venezuelana. No entanto, os preços oscilaram e acabaram caindo, refletindo que a infraestrutura petrolífera da Venezuela não sofreu danos significativos e que o país representa menos de 1% da oferta global atual (produção em torno de 900 mil barris/dia).

Especialistas apontam que o mercado já enfrenta um excesso de oferta global em 2026, com previsões de superávit de milhões de barris diários, o que limita impactos duradouros de eventos geopolíticos.

Efeitos de curto prazo

  • Volatilidade moderada → Possível prêmio de risco temporário, com alta leve nos preços nos primeiros dias, devido à incerteza sobre a transição política e controle militar em Caracas.
  • Bloqueio americano → Trump anunciou pressão via embargo ao petróleo venezuelano, o que pode reduzir exportações no curto prazo e dar suporte altista limitado.
  • No Brasil, analistas veem possibilidade de alta inicial nos preços internos, beneficiando exportadores como a Petrobras, mas com risco de custos logísticos maiores (fretes e seguros).

Perspectivas de médio e longo prazo

A maioria dos analistas prevê pressão baixista nos preços:

  • Com a remoção de Maduro e possível investimento americano (Trump prometeu bilhões para reconstruir a infraestrutura da PDVSA), a produção venezuelana pode aumentar significativamente nos próximos anos.
  • Venezuela possui as maiores reservas provadas do mundo (cerca de 300 bilhões de barris), mas produção caiu drasticamente devido a sanções e má gestão.
  • Um retorno gradual ao mercado (mesmo que demore anos para recuperar níveis pré-2013) adicionaria oferta em um cenário já de glut global, potencialmente derrubando preços para faixas de US$ 50-55 por barril.
  • Previsões para 2026 mantêm Brent médio em US$ 56-60 e WTI em US$ 52-57, sem alterações significativas pelo evento.

Fatores que influenciam o cenário

  • Decisão da OPEC+ (confirmada em reunião de domingo): manutenção da pausa em aumentos de produção até março, o que dá suporte aos preços.
  • Estabilidade política: Se Delcy Rodríguez mantiver controle e negociar com os EUA, risco de disrupção cai; instabilidade prolongada poderia elevar preços temporariamente.
  • Demanda global: Crescimento mais fraco e estoque alto limitam altas sustentadas.