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Publicado: 12 de janeiro de 2026 às 08:10

Número de Mortos em Protestos no Irã Sobe para 544, Dizem Ativistas de Direitos Humanos

HRANA relata ao menos 544 vítimas nos últimos 15 dias, incluindo oito crianças, em meio à maior onda de manifestações contra o regime desde 2022; país segue sem internet há mais de 72 horas

O número de mortos nas manifestações que sacodem o Irã há quase duas semanas subiu para ao menos 544 pessoas, segundo atualização da HRANA (Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos), grupo com sede nos Estados Unidos que monitora violações no país. A contagem inclui oito crianças e refere-se exclusivamente aos últimos 15 dias de protestos generalizados contra o regime teocrático.

A HRANA informou ainda que mais de 10.681 pessoas foram transferidas para prisões após detenções em massa. A CNN Brasil não conseguiu verificar os números de forma independente, mas a agência tem sido considerada confiável em ondas anteriores de agitação no Irã.

O balanço representa um salto significativo em relação a relatórios anteriores: uma ONG norueguesa (Iran Human Rights – IHRNGO) havia confirmado pelo menos 45 manifestantes mortos, incluindo oito crianças, até quinta-feira (8 de janeiro). Outras fontes independentes, como a Associated Press e a Reuters, citam números próximos de 500 a 538 vítimas totais, com temor de subnotificação devido ao apagão de internet imposto pelo governo desde quinta-feira (8), que já dura mais de 72 horas.

Origem e escalada dos protestos Tudo começou em 28 de dezembro de 2025 nos bazares de Teerã, com lojistas (os tradicionais bazaaris) protestando contra a inflação galopante: preços de itens básicos como óleo de cozinha, frango, ovos e leite dispararam, e alguns produtos sumiram das prateleiras. A gota d'água foi a decisão do banco central de encerrar subsídios para acesso a dólares baratos, o que levou comerciantes a aumentar preços ou fechar as portas.

O governo ofereceu transferências diretas de cerca de US$ 7 por mês por família, mas a medida não conteve a insatisfação. Os atos se espalharam rapidamente para mais de 100 cidades em 31 províncias, incluindo regiões de maioria curda como Ilam (fronteira com o Iraque) e Lorestão. Slogans evoluíram de reclamações econômicas para gritos contra o regime: “Morte a Khamenei”, apoio à dinastia Pahlavi (exilada desde 1979) e referências à “última batalha”.

Repressão e reações oficiais As forças de segurança, incluindo a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), intensificaram a repressão com gás lacrimogêneo, tiros ao vivo e detenções em massa. A agência estatal Fars relatou 950 policiais e 60 militares do Basij feridos, alegando que manifestantes usavam armas de fogo e granadas. O regime cortou internet e linhas telefônicas para isolar o país e dificultar a coordenação dos protestos.

O Líder Supremo Ayatollah Ali Khamenei culpou “agitadores” e os Estados Unidos por incitarem a violência, afirmando que “um povo iraniano unido derrotará todos os inimigos”. O presidente Masoud Pezeshkian prometeu alívio econômico e disse que “não devemos esperar que o governo resolva tudo sozinho”. O presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, advertiu que bases americanas e israelenses seriam “alvos legítimos” em caso de intervenção externa.

Do lado internacional, o presidente dos EUA Donald Trump ameaçou: “Se começarem a matar pessoas, vamos atacá-los com muita força”. Reza Pahlavi, filho do último xá exilado, apoia abertamente os manifestantes e convocou ação coordenada.

Contexto histórico e perspectivas Essa é a maior onda de protestos desde 2022, quando a morte de Mahsa Amini sob custódia policial desencadeou o lema “Mulher, Vida, Liberdade”. Especialistas como Sanam Vakil (Chatham House) e Dina Esfandiary (Bloomberg) veem o regime no “fim de sua vida”, com legitimidade fragmentada e risco de mudanças profundas até 2027.

Aqui vão imagens de manifestantes nas ruas de Teerã e outras cidades iranianas durante os protestos recentes:

E cenas de confrontos e repressão nas províncias afetadas:

O apagão digital continua dificultando a verificação de informações em tempo real. Analistas alertam que a repressão pode escalar ainda mais, enquanto a população enfrenta isolamento e incerteza econômica.