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Publicado: 12 de janeiro de 2026 às 08:15

Anvisa aprova novo medicamento para Alzheimer indicado para estágios iniciais da doença

Tratamento atua diretamente na progressão da enfermidade e representa um avanço no cuidado de pacientes com comprometimento cognitivo leve

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou um novo medicamento para o tratamento da doença de Alzheimer em seus estágios iniciais, ampliando as possibilidades terapêuticas disponíveis no Brasil. A decisão marca um passo importante no enfrentamento de uma das doenças neurodegenerativas mais desafiadoras da atualidade.

O medicamento, conhecido pelo nome comercial Leqembi, é um anticorpo monoclonal desenvolvido para agir diretamente sobre a proteína beta-amiloide, que se acumula no cérebro de pessoas com Alzheimer e está associada à progressão da doença. Diferentemente dos tratamentos tradicionais, que atuam principalmente no alívio dos sintomas, a nova terapia tem como objetivo retardar o avanço do declínio cognitivo e funcional.

A indicação é específica para pacientes adultos com comprometimento cognitivo leve ou demência leve causada pelo Alzheimer, desde que haja confirmação da presença de placas beta-amiloides no cérebro. Esse diagnóstico pode ser feito por meio de exames especializados, como análises do líquor ou exames de imagem.

O tratamento é realizado por infusões intravenosas periódicas, em ambiente hospitalar ou ambulatorial especializado, e exige acompanhamento médico rigoroso. Estudos clínicos demonstraram que, ao longo de aproximadamente 18 meses, pacientes tratados com o medicamento apresentaram redução significativa na velocidade de progressão da doença, quando comparados àqueles que receberam placebo.

Especialistas ressaltam que o medicamento não promove a recuperação da memória perdida nem interrompe completamente a evolução do Alzheimer. Ainda assim, o atraso no avanço da doença pode significar mais tempo de autonomia, qualidade de vida e independência funcional para os pacientes e suas famílias.

A aprovação também traz alertas importantes. Pessoas com determinadas variantes genéticas, como a forma homozigota do gene ApoE ε4, podem apresentar maior risco de efeitos adversos, incluindo edema cerebral e pequenos sangramentos. Por isso, a indicação deve ser cuidadosamente avaliada caso a caso.

Embora não represente uma cura, o novo medicamento é considerado um marco no tratamento do Alzheimer em fase inicial, reforçando a importância do diagnóstico precoce e abrindo caminho para uma abordagem mais ativa no controle da doença.