Novo Sistema da Receita para Reforma Tributária Será 100 Vezes Maior que o Pix
Plataforma Digital lançada por Lula processará 70 bilhões de transações anuais com alta complexidade; transição começa em 2026 e deve acabar em 2033
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou oficialmente, em cerimônia de sanção do PLP 108/2025, a Plataforma Digital da Reforma Tributária, um sistema tecnológico desenvolvido pela Receita Federal em parceria com o Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados). O projeto, que sustentará o novo modelo de IVA unificado (CBS federal + IBS estadual/municipal), foi descrito como capaz de lidar com um volume de dados cerca de 100 vezes maior que o processado pelo Pix atualmente.
De acordo com o presidente do Serpro, Wilton Mota, o Pix registra cerca de 65 bilhões de transações por ano, cada uma com aproximadamente 400 bytes de dados. Já o novo sistema da reforma tributária nasce com previsão de 70 bilhões de transações anuais, mas com complexidade bem superior: cada operação carrega em média 40.000 bytes de informação – o que representa um salto de 100 vezes no tamanho dos dados por transação. “O sistema da reforma tributária é gigantesco, porque a reforma muda completamente não só o modelo de tributação do país, mas também o modelo de como as empresas fazem o pagamento de seus impostos hoje”, explicou Mota em entrevista à VEJA.
O volume total de dados processados pela Serpro deve aumentar em cerca de 10% com a implementação, considerando que a plataforma inclui funcionalidades como calculadora de tributos, apuração assistida, monitoramento em tempo real de valores a pagar e créditos a receber, tudo acessível via Gov.br. A ferramenta centraliza 100% das notas fiscais eletrônicas do país, substituindo cinco impostos sobre consumo (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS) por dois novos: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).
Cronograma e desafios O ano de 2026 será dedicado a testes, sem cobrança efetiva inicial. A transição plena para o novo modelo tributário está prevista para ser concluída em 2033, com mudanças graduais para evitar rupturas no sistema. Especialistas destacam que o “gigantismo” do projeto é inédito no Brasil e visa reduzir sonegação, simplificar a relação fisco-contribuinte e promover maior transparência na economia em tempo real.
A plataforma será a primeira em nuvem soberana do país, segundo relatos, e representa um dos maiores saltos tecnológicos na área fiscal brasileira. O secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, já havia mencionado em 2025 que o sistema processaria cerca de 70 bilhões de documentos fiscais por ano, com potencial para rastrear operações comerciais de forma mais eficiente.
Para empresas, o impacto imediato inclui adaptação a novos layouts de notas fiscais, maior volume de declarações digitais e necessidade de investimentos em sistemas internos compatíveis. O acesso será via Gov.br, com funcionalidades que prometem facilitar a apuração e o monitoramento de créditos tributários.
