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Publicado: 18 de janeiro de 2026 às 10:24

Fuzil desviado da Polícia Militar há mais de 15 anos é localizado entre armas apreendidas com traficantes do Comando Vermelho

Investigadores destacam importância de arma no arsenal encontrado na operação mais letal da história do Rio de Janeiro e reforçam preocupações sobre desvio e circulação de armamento pesado

Um fuzil de uso restrito, originalmente pertencente à Polícia Militar do Rio de Janeiro e desviado há mais de 15 anos, foi identificado entre as armas apreendidas com traficantes do Comando Vermelho durante a megaoperação realizada nos complexos da Penha e do Alemão, em outubro de 2025. A ação entrou para a história como a mais letal já registrada no estado.

A confirmação foi feita após análise pericial do material recolhido ao longo da operação, que resultou em dezenas de mortos, prisões e na apreensão de um grande arsenal bélico. Segundo investigadores, o fuzil fazia parte do patrimônio da corporação e desapareceu há mais de uma década, passando a circular no mercado ilegal até ser incorporado pela facção criminosa.

A operação teve como objetivo desarticular a estrutura logística e territorial do Comando Vermelho, uma das maiores organizações criminosas do país. Durante as ações, houve intensa resistência armada, com confrontos prolongados em áreas densamente povoadas, o que levou à paralisação de serviços públicos, fechamento de escolas e impactos diretos na rotina de moradores.

Autoridades destacam que a presença de uma arma originalmente pertencente à Polícia Militar nas mãos de traficantes evidencia falhas históricas no controle e rastreamento de armamentos oficiais. Especialistas em segurança pública apontam que o desvio de armas institucionais alimenta o poder de fogo das facções e contribui para a escalada da violência urbana.

Além do fuzil desviado, foram apreendidas diversas outras armas de grosso calibre, pistolas, grande quantidade de munição e entorpecentes. A polícia informou que procedimentos internos foram abertos para tentar identificar em que circunstâncias ocorreu o desvio do armamento e se houve negligência ou participação de terceiros ao longo dos anos.

A descoberta reacendeu o debate sobre a necessidade de reforçar mecanismos de controle de arsenais oficiais, bem como políticas mais rígidas de fiscalização e responsabilização. Para investigadores, casos como esse demonstram como armamentos destinados à proteção da sociedade acabam, com o tempo, sendo utilizados pelo crime organizado, ampliando o nível de violência nos centros urbanos.

A operação segue sendo analisada por órgãos de controle e pesquisadores da área de segurança, que avaliam tanto seus resultados quanto os impactos sociais e institucionais provocados por ações policiais de grande escala em comunidades do Rio de Janeiro.