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Publicado: 26 de janeiro de 2026 às 10:53

Taxas do Tesouro Direto registram queda firme com maior interesse por ativos brasileiros

Recuo nos rendimentos dos títulos públicos reflete otimismo do mercado e entrada de capital estrangeiro antes de decisões sobre juros no Brasil e nos EUA

O mercado de títulos públicos brasileiros iniciou a semana com um movimento de valorização nos preços e queda nas taxas de juros oferecidas aos investidores. Nesta segunda-feira (26), os rendimentos do Tesouro Direto operam em baixa firme em praticamente todos os vértices da curva, impulsionados por um ambiente de maior apetite por risco. O cenário é acompanhado pela alta do Ibovespa e pelo recuo do dólar frente ao real, indicando uma melhora na percepção dos ativos nacionais.

Entre os títulos prefixados, a queda foi mais acentuada nos vencimentos médios e longos. O Tesouro Prefixado 2028, por exemplo, viu sua taxa recuar de 12,97% para 12,93% ao ano. Já os papéis atrelados à inflação também registraram retração em seus juros reais. O Tesouro IPCA+ 2029 passou a pagar 7,81% acima da inflação, enquanto o título com vencimento em 2050 cedeu de 6,94% para 6,88%. Esse movimento é benéfico para quem já possui os títulos na carteira, pois a queda nas taxas resulta em um aumento no preço de mercado dos papéis (marcação a mercado).

Especialistas apontam que a entrada sólida de recursos estrangeiros tem sido um dos pilares desse otimismo. Estimativas indicam que o fluxo destinado à bolsa brasileira em janeiro de 2026 já se aproxima de R$ 20 bilhões, superando o volume acumulado em todo o ano anterior. Além do fator doméstico, o recuo nos rendimentos das Treasuries norte-americanas e uma descompressão dos títulos no mercado japonês ajudaram a aliviar a pressão sobre os juros no Brasil.

O mercado financeiro agora volta suas atenções para a "Super Quarta", quando o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e o Federal Reserve (Fed) anunciarão suas decisões sobre as taxas básicas de juros. No Brasil, a expectativa é de que a Selic seja mantida em 15% ao ano. Investidores e analistas aguardam os comunicados oficiais para buscar sinalizações sobre o comportamento da inflação e os próximos passos das autoridades monetárias no primeiro semestre do ano.