'Não vou cruzar os braços', afirma Fachin sobre polêmicas envolvendo o Banco Master no STF
Presidente do Supremo defende institucionalidade, mas garante atuação do colegiado caso surjam contestações formais contra relatoria de Dias Toffoli
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, quebrou o silêncio sobre a crise institucional que envolve a relatoria do caso Banco Master na Corte. Em entrevista publicada nesta terça-feira (27), Fachin afirmou categoricamente que, embora precise zelar pela neutralidade da presidência, não hesitará em agir caso o tribunal seja provocado formalmente. "Quando for necessário atuar, eu não vou cruzar os braços. Doa a quem doer", declarou o ministro, sinalizando que a conduta do atual relator, Dias Toffoli, poderá ser submetida ao crivo do colegiado.
A polêmica ganhou força após revelações de vínculos entre familiares de Toffoli e o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro. As críticas se intensificaram com a divulgação de uma nota oficial da presidência do STF na semana passada, que saiu em defesa de Toffoli. Fachin justificou a nota como uma medida necessária para "defender a institucionalidade" do tribunal durante o recesso, mas ponderou que nada está imune a críticas e que os ritos internos da Corte devem ser respeitados caso haja recursos ou arguições de irregularidade.
No campo político, o embate já produziu ações concretas. A bancada do partido Novo protocolou uma notícia-crime na Procuradoria-Geral da República (PGR) e uma comunicação de fatos à Polícia Federal contra o ministro Toffoli. Os parlamentares alegam uma "interferência atípica" do magistrado nas investigações que apuram um suposto esquema de fraudes e manipulação de mercado ligado à instituição financeira. Por outro lado, o procurador-geral, Paulo Gonet, já arquivou pedidos anteriores de impedimento, alegando falta de providências imediatas a serem adotadas.
O futuro do caso Master agora depende da 2ª Turma do STF, grupo ao qual Toffoli pertence. Caberá ao colegiado decidir se o processo continua sob a jurisdição do Supremo ou se deve retornar à primeira instância. Enquanto isso, a Polícia Federal segue colhendo depoimentos de investigados, mantendo a temperatura alta nos bastidores de Brasília. A fala de Fachin é vista como um movimento para equilibrar a defesa da instituição com a pressão por transparência e imparcialidade em um dos casos mais sensíveis do judiciário brasileiro em 2026.
