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Publicado: 29 de janeiro de 2026 às 09:06

Inclusão Digital na Terceira Idade: Entre a Autonomia e a Vulnerabilidade Financeira

Uso da internet por idosos salta de 24,7% para 66% no Brasil, impulsionando a independência, mas elevando recordes de golpes financeiros contra esse público

A inclusão digital de pessoas acima de 60 anos no Brasil vive uma expansão sem precedentes. Segundo dados do IBGE, a taxa de idosos conectados saltou de 24,7% em 2016 para 66% em 2023. Esse movimento, embora essencial para a autonomia e o combate ao isolamento social, trouxe consigo um efeito colateral preocupante: o aumento recorde de tentativas de golpes financeiros, com os idosos tornando-se os principais alvos de fraudadores em 2024 e 2025.

Benefícios da Autonomia Digital

A chegada dos "longevos" ao ambiente digital transforma positivamente sua qualidade de vida:

  • Conexão Social: Aplicativos como WhatsApp e chamadas de vídeo reduzem a solidão, permitindo que idosos mantenham vínculos com familiares e reencontrem amigos distantes.
  • Independência em Serviços: O acesso via smartphone permite realizar transações bancárias, marcar consultas médicas, comprar ingressos e fazer compras online sem depender da ajuda de terceiros.
  • Autoestima e Aprendizado: A possibilidade de estudar online, acessar notícias e entretenimento contribui para a longevidade ativa e a manutenção da saúde mental.

Os Riscos e a "Engenharia Social"

A vulnerabilidade digital desse público é frequentemente explorada por golpistas que utilizam táticas de manipulação psicológica.

  • Golpes Comuns: O "Golpe do WhatsApp" (impostores pedindo dinheiro em nome de familiares), boletos falsos, phishing (roubo de senhas) e "golpes de romance" (manipulação emocional para extorsão financeira).
  • Fatores de Risco: Menor familiaridade com termos técnicos, confiança excessiva em comunicações digitais e, por vezes, limitações de atenção ou memória que dificultam a percepção de inconsistências em histórias fraudulentas.

Caminhos para a Segurança Digital

Especialistas defendem que a inclusão plena só ocorre com educação digital e interfaces mais inclusivas.

  • Capacitação: Programas de mentoria intergeracional (jovens ensinando idosos), cursos presenciais em centros de convivência e campanhas de prevenção em rádio e TV.
  • Design Inclusivo: Empresas de tecnologia devem criar interfaces com fontes maiores, alto contraste e comandos simplificados, além de alertas automáticos para transações suspeitas.
  • Apoio Humano: A criação de canais de atendimento humano imediato para esclarecer dúvidas sobre links ou mensagens suspeitas é vista como uma barreira crucial contra o prejuízo financeiro.