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Publicado: 03 de fevereiro de 2026 às 08:48

Endividamento e juros altos devem pressionar o bolso dos brasileiros em 2026

Mesmo com melhora na renda em 2025, inadimplência e custo do crédito permanecem elevados, sinalizando um ano de desaceleração econômica e desafios financeiros para as famílias.

O cenário financeiro para os brasileiros em 2026 permanece desafiador, apesar dos recordes de emprego e renda registrados ao longo do último ano. Segundo especialistas e dados do Banco Central, a combinação de juros reais elevados e um alto patamar de endividamento histórico deve continuar restringindo o consumo e a capacidade de pagamento das famílias. O horizonte indica que o fôlego financeiro da população levará mais tempo para se recuperar do que o inicialmente previsto.

Dados do Banco Central revelam que o endividamento das pessoas físicas atingiu quase 50% ao final de 2025, com a inadimplência saltando de 3,78% para 5,05% no mesmo período. Esse aumento reflete o peso do serviço da dívida — a parcela da renda destinada apenas ao pagamento de juros e encargos. Atualmente, o brasileiro gasta, em média, quase 30% do seu orçamento mensal para quitar débitos, um nível que limita investimentos e gastos em outras áreas essenciais da economia.

A persistência do saldo devedor é explicada por economistas como um efeito residual da pandemia e da facilidade de acesso ao crédito por meio de novas instituições financeiras, que nem sempre veio acompanhada de educação financeira. Linhas de crédito de alto custo, como o rotativo do cartão de crédito e o cheque especial, registraram altas expressivas, tornando o custo médio do crédito para o cidadão comum muito superior à taxa Selic oficial, chegando a superar os 60% ao ano em média.

Para 2026, a expectativa é de uma estabilização ou até um leve recuo nos indicadores de emprego, à medida que a atividade econômica desacelera sob o peso dos juros. Embora o mercado projete cortes graduais na taxa Selic a partir de março, os juros devem permanecer em dois dígitos até o fim do ano. Esse patamar mantém o custo do dinheiro elevado, dificultando o abatimento real do montante das dívidas e forçando as famílias a priorizarem o pagamento de parcelas em vez de novos consumos.

Estrategistas apontam que a falta de reservas de emergência deixa grande parte da população vulnerável a qualquer imprevisto financeiro, alimentando um ciclo de dependência de crédito emergencial. Diante desse quadro, a desaceleração econômica torna-se uma consequência direta do menor poder de compra e da seletividade dos bancos na concessão de novos empréstimos, consolidando 2026 como um ano de ajuste e cautela para as finanças domésticas.