Investigado por assédio, ministro do STJ pedirá licença médica em meio a sindicância
Marco Buzzi, de 68 anos, é suspeito de assediar jovem de 18 anos em Balneário Camboriú; Tribunal decide, por unanimidade, abrir investigação administrativa.
O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Marco Buzzi, anunciou que solicitará licença médica ao presidente da Corte, Herman Benjamin. A decisão, que deve ser formalizada nesta quinta-feira (5), ocorre no auge de uma grave crise institucional envolvendo o magistrado, que é alvo de investigações tanto na esfera administrativa quanto na criminal por suspeita de assédio sexual contra uma jovem de 18 anos.
A denúncia ganhou contornos oficiais nesta quarta-feira (4), quando o Pleno do STJ, composto pelos 33 ministros da Casa, decidiu por unanimidade abrir uma sindicância interna para apurar os fatos. A deliberação ocorreu em uma sessão sigilosa de quase três horas. Paralelamente, Buzzi responde a um inquérito conduzido pela Polícia Federal (PF). Devido ao foro privilegiado, o caso foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), sob a relatoria do ministro Kassio Nunes Marques, e tramita sob segredo de justiça.
De acordo com os relatos obtidos pela investigação, o suposto assédio teria ocorrido em 9 de janeiro de 2026, em Balneário Camboriú (SC). O ministro teria tentado agarrar a vítima durante um banho de mar; a jovem e sua família estavam hospedadas na residência do magistrado na ocasião. O caso foi levado ao conhecimento da cúpula do STJ pelos próprios pais da vítima, que buscam a responsabilização criminal e administrativa do ministro.
A defesa de Marco Buzzi nega veementemente as acusações. Em nota oficial, o gabinete do ministro afirmou que ele foi surpreendido pelas "insinuações" e repudia qualquer alegação de ato impróprio, classificando os relatos como inverídicos. No entanto, a pressão interna na Corte é alta: uma ala de magistrados já defende a aposentadoria compulsória de Buzzi como forma de preservar a imagem da instituição.
O desfecho da sindicância pode variar desde o arquivamento até a abertura de um processo administrativo disciplinar (PAD). Além disso, Buzzi pode enfrentar um processo de impeachment no Senado Federal e sanções por parte do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que já iniciou a coleta de depoimentos, incluindo o da mãe da vítima. O caso representa um dos momentos mais sensíveis da história recente do STJ, colocando à prova os mecanismos de controle e ética da magistratura brasileira.
