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Publicado: 07 de fevereiro de 2026 às 09:26

Ação do PT no TSE abre debate sobre limites entre liberdade de expressão e abuso econômico

Pedido para proibir impulsionamento pago de críticas a governos divide juristas; decisão da Corte definirá as regras de equilíbrio para a pré-campanha

Uma ação protocolada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) colocou em campos opostos os conceitos de liberdade de crítica e igualdade eleitoral. Ao solicitar que a Corte proíba o uso de recursos financeiros para impulsionar propagandas negativas contra gestões vigentes durante a pré-campanha, o partido acendeu um alerta sobre como as ferramentas digitais podem influenciar o pleito antes mesmo do início oficial das candidaturas.

O cerne do pedido baseia-se na tese de que o impulsionamento pago é uma extensão do poder econômico. Para os advogados da legenda, permitir que grupos ou opositores utilizem verba para amplificar críticas a governantes cria uma desvantagem artificial. O argumento é que, enquanto o alcance orgânico faz parte do debate livre, o alcance comprado pode ser usado para desgastar administrativamente um pré-candidato de forma desproporcional, ferindo o princípio da paridade de armas entre os concorrentes.

Por outro lado, o movimento é visto por setores da oposição e por especialistas em direito constitucional como uma tentativa de cerceamento da fiscalização pública. Os críticos da medida argumentam que a gestão de recursos e a eficiência de um governo são temas de interesse coletivo e que limitar a difusão dessas informações, ainda que paga, poderia configurar uma forma de blindagem institucional. Para este grupo, o direito à crítica é um pilar da democracia que não deveria sofrer restrições baseadas na ferramenta de entrega do conteúdo.

Juridicamente, o TSE enfrenta o desafio de estabelecer uma linha tênue. De um lado, há a necessidade de evitar que o dinheiro substitua o debate de ideias; de outro, a garantia de que vozes opositoras não sejam silenciadas. Atualmente, a legislação permite o impulsionamento desde que não haja pedido explícito de voto, mas o tribunal tem endurecido o entendimento sobre o que considera "propaganda antecipada negativa".

A decisão que será proferida pela Corte Eleitoral terá efeitos imediatos na estratégia digital de todos os partidos. Se o pedido for acatado, as redes sociais na pré-campanha deverão priorizar conteúdos propositivos, sob pena de multas e sanções. Se negado, o tribunal reafirmará a legalidade do uso de tráfego pago para o escrutínio de gestões públicas, mantendo o atual dinamismo das redes sociais como arena de confronto político.