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Publicado: 07 de fevereiro de 2026 às 09:54

Lula planeja visita a Trump para neutralizar interferência dos EUA na eleição brasileira

Palácio do Planalto quer usar encontro em Washington como estratégia para afastar influência da direita brasileira junto ao governo republicano

O governo brasileiro trabalha com uma estratégia diplomática específica para a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos Estados Unidos em março. A intenção do Palácio do Planalto é transformar o encontro com Donald Trump em uma espécie de barreira contra possíveis tentativas de contaminação do processo eleitoral brasileiro por parte de aliados conservadores que tentam angariar apoio em Washington.

De acordo com auxiliares presidenciais, o encontro é visto como uma oportunidade para Lula se consolidar como um interlocutor confiável perante o republicano. A ideia é apresentar diretamente a Trump a transparência e a segurança das urnas brasileiras, evitando que narrativas de opositores que orbitam o entorno do presidente americano influenciem a percepção da Casa Branca sobre a disputa pelo Planalto.

A preocupação do governo brasileiro recai sobre a possibilidade de a direita brasileira buscar suporte externo na disputa eleitoral. Embora o ex-presidente Jair Bolsonaro tenha sido condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe e indicado seu filho, Flávio Bolsonaro, para a disputa, o governo Lula ainda monitora os movimentos de aliados da oposição nos Estados Unidos.

A pauta da visita também inclui temas pragmáticos para o Itamaraty. Entre os assuntos prioritários estão a retirada de tarifas sobre produtos brasileiros, a situação política na Venezuela e a participação do Brasil em um conselho para a reconstrução da Faixa de Gaza.

Apesar de Lula ter apoiado Kamala Harris nas eleições americanas passadas, a conversa recente por telefone entre os dois líderes durou 50 minutos e foi considerada produtiva. O objetivo agora é garantir que, mesmo com as diferenças ideológicas, a relação entre as duas maiores democracias das Américas se mantenha em um nível que permita o diálogo institucional sem interferências políticas externas.