António José Seguro vence eleições e é eleito presidente de Portugal
Ex-líder socialista derrotou André Ventura no segundo turno e assume o cargo em março; vitória foi consolidada por ampla frente de apoio contra a direita
António José Seguro, de 63 anos, foi eleito presidente da República de Portugal neste domingo (8), após uma disputa intensa no segundo turno contra o candidato de direita André Ventura. Seguro, que se apresentou durante a campanha como uma "opção segura" para o país, retornou ao protagonismo político após mais de uma década afastado de cargos eletivos. Sua posse está agendada para o dia 9 de março.
A vitória de Seguro foi marcada por um fenômeno de união política transversal. Sua candidatura atraiu o apoio de figuras conservadoras de peso, como o ex-presidente Aníbal Cavaco Silva, além de ministros do atual governo de centro-direita e da maioria dos candidatos derrotados no primeiro turno. Segundo analistas, esse apoio amplo teve como objetivo principal impedir a ascensão de André Ventura, líder do partido Chega, cuja força política tem crescido no cenário português.
Com formação acadêmica sólida, o presidente eleito é licenciado em Relações Internacionais pela Universidade Autónoma de Lisboa e mestre em Ciência Política pelo ISCTE. Antes de retornar à política, Seguro atuou como empresário nos setores de turismo, agricultura e produtos alimentares. Na vida pública, foi líder do Partido Socialista (PS) até 2014, quando deixou o cargo após perder a liderança interna para António Costa.
O resultado das urnas reflete uma preocupação de diversos setores da sociedade portuguesa com o avanço de movimentos de direita no país. Ao consolidar uma frente que uniu desde a esquerda até setores tradicionais da direita moderada, Seguro assume a presidência com o desafio de promover a estabilidade institucional e dialogar com um parlamento fragmentado.
A eleição de António José Seguro encerra um ciclo de incertezas sobre a sucessão presidencial e coloca no Palácio de Belém um político experiente, conhecido por seu perfil moderado e conciliador. A partir de março, ele terá a missão de conduzir Portugal em um cenário europeu desafiador, marcado por tensões econômicas e o fortalecimento de blocos políticos divergentes.
