Polícia Federal Apreende 15 Toneladas de Barbatanas de Tubarão na Bahia: O Rastro do Crime Ambiental Rumo à Ásia
Operação desarticula esquema de exportação ilegal de espécies ameaçadas; carga é avaliada em milhões de dólares e tinha como destino final o mercado de luxo na China.
Em uma das maiores ofensivas contra o tráfico de fauna marinha dos últimos anos, a Polícia Federal (PF), em conjunto com órgãos de fiscalização ambiental, realizou a apreensão de 15 toneladas de barbatanas de tubarão no estado da Bahia. A carga, que seria exportada ilegalmente para a Ásia, revela a face cruel do finning — prática proibida no Brasil que consiste em cortar as barbatanas e descartar o corpo do animal ainda vivo no oceano.
A operação, deflagrada em 12 de fevereiro de 2026, é um marco na repressão a crimes contra a biodiversidade e expõe a pressão do mercado internacional sobre as espécies ameaçadas das águas brasileiras.
1. A Iguaria de Luxo: Por que a China busca barbatanas brasileiras?
O destino final das 15 toneladas apreendidas era o mercado chinês, onde a barbatana de tubarão é considerada um símbolo de status e prestígio social. Consumida principalmente na forma de sopa em casamentos e banquetes oficiais, a iguaria pode custar até US$ 1.000 o prato em restaurantes de luxo em Hong Kong e Pequim.
No Brasil, o custo de produção é baixo, mas o lucro na revenda internacional é astronômico. Estimativas sugerem que a carga apreendida na Bahia poderia render mais de US$ 15 milhões no mercado clandestino asiático.
2. A Técnica do "Finning" e o Desastre Ecológico
A Polícia Federal investiga se as barbatanas foram obtidas através do finning. Como a carne do tubarão tem baixo valor comercial em comparação às barbatanas, os pescadores ilegais retiram apenas as partes valiosas para economizar espaço nos barcos e maximizar o lucro.
Impactos na Biodiversidade Marinha:
- Desequilíbrio da Cadeia Alimentar: Como predadores de topo, os tubarões controlam as populações de outras espécies. Sua extinção local pode levar ao colapso de ecossistemas inteiros.
- Espécies Ameaçadas: Entre as barbatanas apreendidas, foram identificados exemplares de tubarão-azul e tubarão-aniquim, ambos com populações em declínio crítico.
3. Modus Operandi: Como funciona o tráfico internacional?
A carga foi encontrada em depósitos clandestinos próximos a portos baianos. A estratégia dos criminosos envolvia:
- Lavagem de Documentos: Uso de licenças de pesca de espécies permitidas para camuflar a captura de espécies proibidas.
- Mistura de Cargas: As barbatanas secas eram escondidas entre outros subprodutos de peixes legalizados para dificultar a fiscalização por scanner nos portos.
- Empresas de Fachada: Exportadoras registradas em nomes de laranjas que operavam apenas por curtos períodos.
4. O Papel da Polícia Federal e Acordos Internacionais
A apreensão na Bahia é fruto de inteligência cibernética e monitoramento de rotas marítimas. O Brasil é signatário da CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Flora e Fauna Selvagens Ameaçadas de Extinção), o que obriga o país a endurecer a fiscalização contra esse tipo de crime.
O delegado responsável pela operação afirmou que "esta não é apenas uma apreensão de mercadoria, mas uma ação de preservação do patrimônio genético brasileiro". Várias pessoas foram detidas e responderão por crimes ambientais, contrabando e formação de organização criminosa.
5. Próximos Passos: O Destino da Carga Apreendida
Diferente de outras mercadorias, as barbatanas não podem ser comercializadas pelo Estado. Após a perícia técnica para identificação genética das espécies, a carga deverá ser incinerada ou doada para fins de pesquisa científica, garantindo que o crime não gere qualquer tipo de retorno financeiro.
