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Publicado: 13 de fevereiro de 2026 às 08:40

Intoxicação por cloro em piscinas acende alerta para riscos de superdosagem e falha na ventilação

Casos recentes de internações e mortes reforçam a necessidade de controle rígido da química da água e manutenção técnica em ambientes fechados.

Episódios recentes de intoxicação por produtos químicos em piscinas de academias e clubes têm gerado preocupação entre frequentadores e especialistas em saúde pública. Relatos de irritações severas, internações hospitalares e até mortes decorrentes da exposição inadequada ao cloro acenderam um alerta sobre os perigos da manipulação incorreta de substâncias usadas no tratamento da água.

O cloro é o agente fundamental para a desinfecção de piscinas, sendo responsável por eliminar bactérias e vírus. No entanto, o benefício depende diretamente da dosagem. Em níveis ideais, a concentração de cloro livre deve se manter entre 1 e 3 partes por milhão (ppm). Quando esse limite é ultrapassado ou o produto é mal diluído, a água deixa de ser segura e passa a oferecer riscos biológicos e químicos imediatos.

O perigo é potencializado em ambientes fechados ou com pouca circulação de ar. Nestes locais, o excesso de cloro libera gases irritantes que ficam concentrados sobre a superfície da água. O que muitos usuários identificam apenas como um cheiro forte de piscina é, na verdade, um sinal de que vapores tóxicos estão sendo inalados, podendo causar danos severos às vias respiratórias.

Especialistas explicam que a reação do cloro com impurezas ou outros produtos químicos pode formar compostos que queimam a pele e os olhos. Em situações extremas, como a registrada recentemente em uma unidade no interior de São Paulo, a inalação desses vapores pode evoluir para tosse intensa, falta de ar, náuseas e até falência respiratória. A rapidez no socorro médico é determinante para evitar sequelas permanentes nos pulmões.

A recorrência desses acidentes é atribuída, em grande parte, à falta de controle técnico. Entre as causas principais estão a aplicação de produtos com banhistas ainda na água, a ausência de medição regular do pH e a mistura inadequada de diferentes compostos químicos. O uso de substâncias não previstas para o tratamento de piscinas também figura como um fator de risco elevado em estabelecimentos com manutenção precária.

Para o usuário, a identificação visual e sensorial é a primeira linha de defesa. Água turva, espuma incomum, ardência imediata nos olhos ou a sensação de ar pesado no recinto são sinais claros de que a piscina não está em condições de uso. A recomendação de órgãos de saúde é que o frequentador abandone o recinto imediatamente ao sentir qualquer desconforto respiratório ou irritação cutânea.

Para gestores de academias e clubes, a prevenção passa pela capacitação técnica dos funcionários e, preferencialmente, pela instalação de sistemas de dosagem automática. Manter a ventilação constante e respeitar o tempo de mistura dos produtos antes de liberar o acesso ao público são protocolos básicos que podem separar uma atividade de lazer de uma tragédia de saúde pública.