Michelle Bolsonaro e lideranças evangélicas criticam ala sobre Lula em desfile na Sapucaí
Ex-primeira-dama e parlamentares da bancada religiosa classificam como heresia a representação do presidente em contexto bíblico durante o Carnaval.
A repercussão do desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageou a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Marquês de Sapucaí, ganhou um novo capítulo de forte teor religioso e político. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e importantes lideranças do segmento evangélico utilizaram as redes sociais para manifestar indignação contra uma ala específica da escola de samba, que apresentou referências bíblicas associadas à figura do atual mandatário.
Michelle Bolsonaro publicou uma crítica direta em seu perfil oficial, classificando a encenação como uma heresia e um desrespeito aos símbolos cristãos. A ex-primeira-dama questionou a utilização de passagens sagradas para a exaltação de uma figura política, sugerindo que a apresentação ultrapassou os limites da liberdade de expressão cultural ao tocar em dogmas de fé compartilhados por milhões de brasileiros.
No Congresso Nacional, a reação foi ecoada por parlamentares da bancada evangélica. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o senador Magno Malta (PL-ES) foram alguns dos nomes que condenaram a estética do desfile. Para os congressistas, a tentativa de traçar paralelos entre o presidente e elementos do cristianismo é uma estratégia de propaganda que fere a sensibilidade religiosa. Eles argumentam que o uso de imagens que remetem a passagens bíblicas para fins políticos é inaceitável, especialmente em um evento de visibilidade internacional como o Carnaval do Rio de Janeiro.
O setor religioso mais conservador foca suas críticas na ala que representava o "renascimento" e a "esperança", interpretada por críticos como uma tentativa de divinização de Lula. Além da questão teológica, os parlamentares reforçaram o coro da oposição sobre o uso de recursos públicos no financiamento da estrutura que levou tais mensagens à avenida. O debate sobre o limite entre a sátira carnavalesca e o desrespeito religioso deve ser levado a comissões na Câmara dos Deputados nos próximos dias.
Enquanto a oposição e os grupos religiosos intensificam as críticas, defensores da agremiação e aliados do governo sustentam que o enredo tratou de manifestações populares e da fé do povo brasileiro, sem a intenção de profanar símbolos. A Acadêmicos de Niterói reiterou que o Carnaval é um espaço de pluralidade e que a liberdade artística permite a interpretação de mitos e realidades sob a ótica da cultura nacional.
O episódio amplia a polarização em torno do desfile, que já é alvo de ações no Tribunal Superior Eleitoral por suposto abuso de poder econômico e propaganda antecipada. Agora, a dimensão religiosa do conflito adiciona uma camada de pressão social, mobilizando bases eleitorais que são centrais para o debate político no país. O caso segue repercutindo intensamente em grupos de mensagens e plataformas digitais de todo o Brasil.
