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Publicado: 17 de fevereiro de 2026 às 11:02

Desfile que homenageou Lula retrata evangélicos em "latas de conserva" e gera novos protestos

Representação visual na Sapucaí causou forte reação de líderes religiosos, que veem preconceito e tentativa de ridicularização de um segmento da sociedade.

Uma nova camada de polêmica se somou ao desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageou a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Marquês de Sapucaí. Além das críticas sobre o uso político da festa, uma ala específica da agremiação gerou revolta entre lideranças cristãs ao apresentar figurantes caracterizados como evangélicos dentro de cenários que remetiam a "latas de conserva".

A alegoria foi interpretada por parlamentares da Frente Parlamentar Evangélica e por entidades religiosas como uma forma de deboche e estigmatização. Para os críticos, a escolha estética da escola de samba sugeriu que os fiéis seriam pessoas "enlatadas" ou sem pensamento próprio, o que configuraria um ataque direto à liberdade de crença e à dignidade de um grupo que representa cerca de um terço da população brasileira.

O deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) manifestou repúdio à apresentação, afirmando que o Carnaval não deve servir como ferramenta para destilar preconceito religioso contra qualquer denominação. O parlamentar destacou que, ao tentar exaltar uma figura política, a escola acabou por marginalizar um setor da sociedade que possui valores divergentes dos defendidos pelo atual governo.

Nas redes sociais, o tom das reclamações foi de indignação. Pastores e influenciadores do segmento evangélico questionaram se a mesma liberdade artística seria aplicada a outros grupos sociais ou se o alvo é seletivo. Eles argumentam que a representação em "latas de conserva" é uma metáfora ofensiva que desumaniza o fiel, reduzindo-o a um produto manipulado ou a um estereótipo negativo.

A direção da Acadêmicos de Niterói, por sua vez, defende que a proposta artística do enredo era fazer uma crítica social e mostrar a diversidade das bolhas de informação na era digital. Segundo integrantes da escola, a intenção não era atacar a fé evangélica, mas sim ilustrar como diferentes grupos da sociedade podem se fechar em seus próprios núcleos de convivência e pensamento.

O episódio amplia o desgaste entre o Palácio do Planalto e a base evangélica, um eleitorado que o governo vem tentando aproximar por meio de agendas sociais e econômicas. Com a repercussão negativa, lideranças religiosas prometem levar o caso a instâncias de direitos humanos e conselhos de ética, alegando que o desfile ultrapassou a barreira da crítica política para entrar no campo da intolerância religiosa.