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Publicado: 23 de fevereiro de 2026 às 09:37

Influenciador Hytalo Santos é condenado a 11 anos de prisão por exploração de menores em 'reality show'

Justiça da Paraíba sentencia criador de conteúdo e seu marido, Israel Vicente, por produção de material pornográfico com adolescentes; magistrado fixa indenização de R$ 500 mil e mantém prisão preventiva do casal.

A Justiça da Paraíba proferiu nesta segunda-feira (23/02/2026) uma sentença contundente contra o influenciador digital Hytalo Santos. Acusado de produzir conteúdo pornográfico envolvendo adolescentes em uma estrutura que simulava um "reality show", Hytalo recebeu a pena de 11 anos e 4 meses de prisão em regime fechado. Seu marido, Israel Vicente (conhecido como Euro), também foi condenado a 8 anos e 10 meses de reclusão. A decisão mantém ambos detidos preventivamente, negando o direito de recorrer em liberdade.

Dinâmica do 'Reality' e adultização

O processo detalhou como o casal operava um ambiente controlado onde jovens eram inseridos em situações inadequadas para a idade, incluindo o consumo de bebidas alcoólicas e falhas graves na frequência escolar e alimentação. O magistrado destacou que houve exploração da vulnerabilidade das vítimas sob o pretexto de entretenimento digital. O caso ganhou repercussão nacional em 2025, após denúncias sobre a "adultização" precoce de menores nas redes sociais, o que desencadeou uma investigação profunda sobre os métodos de engajamento do influenciador.

Reparação financeira e processos paralelos

Além da privação de liberdade, o juiz fixou uma indenização por danos morais no valor de R$ 500 mil. O desfecho na esfera criminal é apenas parte do cerco jurídico contra os réus: Hytalo e Israel também respondem a processos na Justiça do Trabalho, onde enfrentam acusações graves de tráfico de pessoas para exploração sexual e submissão de vítimas a condições análogas à escravidão.

Reação da defesa e próximos passos

A defesa do influenciador, liderada pelo advogado Sean Kompier Abib, anunciou que irá recorrer da sentença, classificando-a como "preconceituosa" e baseada em "opiniões pessoais". Um pedido de habeas corpus deve ser analisado pelo Tribunal de Justiça da Paraíba nesta terça-feira (24). Contudo, a manutenção da prisão preventiva indica que o Judiciário considera que os fundamentos para a custódia — como a proteção da ordem pública e das vítimas — permanecem inalterados.