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Publicado: 28 de fevereiro de 2026 às 16:57

Ex-juíza que recebeu R$ 359 mil em quatro meses afirma que tribunal "mal tem lanche"

Ludmila Lins Grilo, que teve a aposentadoria compulsória convertida em cassação, reclama de condições de trabalho em postagem nas redes sociais

A ex-juíza Ludmila Lins Grilo, que recebeu um total de R$ 359 mil em rendimentos brutos nos últimos quatro meses, gerou repercussão ao publicar críticas às condições de trabalho no Judiciário. Em postagem feita neste sábado, a ex-magistrada afirmou que a estrutura do tribunal onde atuava era precária, chegando a declarar que no local "mal tem lanche" para os servidores e magistrados.

Os valores recebidos por Ludmila referem-se ao período em que ela ainda estava sob o regime de aposentadoria compulsória, uma punição administrativa que mantinha o pagamento de proventos proporcionais. Segundo dados do Painel de Remuneração do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o montante acumulado entre o final do ano passado e o início de 2026 inclui o salário base somado a vantagens eventuais e gratificações acumuladas.

Recentemente, a situação funcional da ex-juíza sofreu uma alteração definitiva. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) converteu a aposentadoria compulsória em cassação de aposentadoria, após processos administrativos que analisaram condutas da magistrada nas redes sociais e o abandono do cargo. Com a cassação, o pagamento do benefício mensal é interrompido.

Em sua defesa pública, Ludmila argumenta que as críticas à estrutura física e operacional dos fóruns são reflexos de uma gestão que, segundo ela, negligencia a rotina dos profissionais do Direito. A ex-juíza tem utilizado seus perfis em plataformas digitais para questionar decisões das instâncias superiores e apontar o que considera falhas no sistema judiciário brasileiro.

O caso de Ludmila Lins Grilo tem sido acompanhado de perto por órgãos de controle e associações de classe. Enquanto parte dos críticos aponta o contraste entre os altos valores recebidos e as reclamações sobre benefícios cotidianos, defensores da ex-magistrada alegam que os rendimentos são direitos adquiridos pelo tempo de serviço e que as críticas à infraestrutura são legítimas.

Atualmente vivendo fora do Brasil, a ex-magistrada continua ativa no debate político e jurídico nas redes sociais, mesmo após a perda definitiva do vínculo com o tribunal mineiro. O TJMG não emitiu novos comentários específicos sobre as declarações da ex-servidora a respeito da infraestrutura das unidades judiciárias.