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Publicado: 28 de fevereiro de 2026 às 17:23

Estudo indica que inteligência artificial pode prever doenças cardíacas anos antes dos sintomas

Pesquisa da Universidade de Oxford aponta que nova tecnologia analisa tomografias com precisão superior aos métodos tradicionais de diagnóstico

Cientistas da Universidade de Oxford desenvolveram uma ferramenta de inteligência artificial capaz de identificar sinais de inflamação nas artérias que não são visíveis aos olhos humanos em exames comuns. O estudo, publicado recentemente, demonstra que a tecnologia pode prever o risco de um ataque cardíaco com até dez anos de antecedência, permitindo intervenções médicas preventivas muito antes de qualquer complicação clínica ocorrer.

Atualmente, médicos utilizam tomografias computadorizadas de tórax para detectar bloqueios nas artérias causados por placas de gordura. No entanto, muitos ataques cardíacos ocorrem em pacientes que não apresentam obstruções significativas, mas sim inflamações arteriais invisíveis nos exames convencionais. A nova ferramenta de IA analisa as mudanças no tecido adiposo ao redor das artérias coronárias, que servem como um marcador biológico para inflamações perigosas.

Durante a fase de testes, os pesquisadores analisaram dados de milhares de pacientes e descobriram que a inteligência artificial foi capaz de reclassificar o risco de indivíduos que haviam recebido resultados "normais" em avaliações tradicionais. Em muitos desses casos, a tecnologia identificou um risco elevado de eventos cardíacos graves, possibilitando que os médicos ajustassem o tratamento com estatinas ou outras medidas preventivas.

O impacto dessa inovação para a saúde pública é considerado significativo por especialistas da área. A detecção precoce pode reduzir drasticamente o número de internações de emergência e mortes prematuras por doenças cardiovasculares, que continuam sendo a principal causa de óbito no mundo. Além do benefício direto ao paciente, a aplicação da IA no diagnóstico promete otimizar os recursos dos sistemas de saúde, direcionando tratamentos intensivos apenas para quem realmente possui alto risco.

O Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido já iniciou projetos-piloto para avaliar a implementação da ferramenta em hospitais selecionados. Os desenvolvedores esperam que, com a validação em larga escala, a tecnologia possa ser integrada aos protocolos de rotina em diversos países nos próximos anos.

Apesar do entusiasmo com os resultados, os pesquisadores ressaltam que a tecnologia deve ser utilizada como um suporte às decisões médicas e não como substituta da avaliação clínica. O próximo passo da equipe é investigar se a mesma lógica de análise de tecidos por IA pode ser aplicada para prever outras condições, como o desenvolvimento de diabetes tipo 2 e doenças vasculares cerebrais.