Morte de "El Mencho" pode fortalecer o PCC na rota global do tráfico, afirma especialista
Analistas apontam que organização brasileira possui estrutura mais profissional que cartéis mexicanos e deve ocupar vácuo deixado pela queda de líder do Jalisco Nova Geração
A confirmação da morte de Nemesio Oseguera Cervantes, o "El Mencho", líder do poderoso Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG) no México, pode provocar um efeito dominó no crime organizado transnacional com benefícios diretos para o Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo especialistas em segurança pública, a facção brasileira apresenta um modelo de gestão mais "profissional" e corporativo, o que a coloca em posição privilegiada para expandir sua influência em rotas estratégicas.
A queda de um dos criminosos mais procurados do mundo gera, historicamente, um período de fragmentação e disputas internas nos cartéis mexicanos. Esse cenário de instabilidade no México contrasta com a estrutura hierárquica e a logística capilarizada do PCC, que já consolidou sua presença em portos da Europa e da África. Para analistas, a organização brasileira funciona sob uma lógica de rede que depende menos de figuras messiânicas e mais de processos de "franquias", o que garante maior resiliência.
O fortalecimento do PCC na esteira da crise dos cartéis mexicanos deve-se à sua capacidade de atuar como o principal fornecedor e operador logístico na América Latina. Enquanto os grupos mexicanos focam intensamente na fronteira com os Estados Unidos, o PCC tem diversificado seus destinos, tornando-se o parceiro preferencial de máfias europeias, como a Ndrangheta italiana. Com a morte de El Mencho, o mercado global pode ver uma migração de fornecedores para a rede brasileira, que é vista como mais estável e menos exposta a guerras civis ostensivas.
Especialistas ressaltam que o diferencial do PCC é o seu pragmatismo comercial. Diferente dos cartéis mexicanos, que utilizam a violência extrema como principal ferramenta de marketing e controle territorial, a facção brasileira prioriza o lucro e a infiltração em estruturas lícitas de transporte e logística. Esse "profissionalismo" permite que a organização mantenha suas operações em funcionamento mesmo sob pressão policial, algo que costuma colapsar em grupos baseados em lideranças carismáticas e violentas.
O impacto para o Brasil pode ser um aumento no fluxo de caixa e no poder de corrupção da facção, além de uma maior pressão sobre os portos nacionais, como o de Santos, que servem de escoadouro para o mercado externo. Autoridades de segurança já monitoram a movimentação de lideranças em países vizinhos, como o Paraguai e a Bolívia, para identificar possíveis novas alianças internacionais que busquem preencher o vácuo deixado pela reestruturação do narcotráfico mexicano.
A morte de El Mencho marca o fim de uma era no México, mas abre espaço para uma nova dinâmica no tráfico global de drogas. A capacidade do PCC de se adaptar a essas mudanças reafirma a complexidade do desafio enfrentado pelas agências de inteligência, que agora lidam com uma organização que opera com eficiência comparável a de grandes multinacionais.
