Governo brasileiro atua para evitar que EUA classifiquem PCC e CV como organizações terroristas
Itamaraty expressa preocupação com possíveis sanções e ações unilaterais em meio a negociações para encontro entre Lula e Trump
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, iniciou conversas diretas com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, para tratar da intenção de Washington de incluir as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas estrangeiras. O diálogo ocorreu por telefone e faz parte da preparação para uma futura visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Casa Branca para se reunir com Donald Trump.
A diplomacia brasileira vê com cautela a possível designação, temendo que a medida abra precedentes para ações unilaterais dos Estados Unidos na região sob o pretexto de combate ao narcotráfico. Pelas leis americanas, grupos classificados como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO) ficam sujeitos a sanções rigorosas, que incluem o bloqueio de ativos financeiros, restrições de viagem para seus integrantes e a proibição de qualquer tipo de apoio material ou treinamento.
Fontes do governo indicam que a proposta de classificação é defendida ativamente por Marco Rubio e já estaria em estágio avançado de discussão dentro da administração Trump. O tema deve ser encaminhado ao Congresso americano nos próximos dias. Para o Brasil, o enquadramento dessas facções como terroristas poderia gerar impactos econômicos em diversos setores, como o bancário e o varejo, devido à necessidade de controles de conformidade muito mais rígidos.
O histórico recente na América Latina amplia o estado de alerta do Itamaraty. No final de 2025, o governo americano aplicou mecanismo semelhante contra o Cartel de los Soles, na Venezuela, o que culminou em uma operação militar de grande escala para a captura de Nicolás Maduro em janeiro deste ano. O governo brasileiro busca reforçar que o combate ao crime organizado deve ocorrer por meio da cooperação policial e de inteligência, preservando a soberania nacional.
Embora a data da viagem de Lula a Washington ainda não tenha sido definida, a segurança pública e o status jurídico das facções brasileiras consolidaram-se como os tópicos mais sensíveis da agenda bilateral. O governo brasileiro tenta convencer os interlocutores americanos de que as organizações criminosas do país possuem motivações essencialmente financeiras e não políticas, o que as diferenciaria de grupos terroristas conforme a legislação brasileira.
