Publicações
Publicado: 12 de março de 2026 às 09:23

Juros elevados travam investimentos e expansão de empresas no Brasil, dizem CEOs

Em levantamento com executivos das maiores companhias do país, o custo do crédito e a incerteza fiscal aparecem como as principais barreiras para o crescimento em 2026.

Líderes das principais empresas que operam no Brasil manifestaram preocupação com a manutenção da taxa de juros em patamares elevados, apontando o cenário como o maior entrave para a retomada dos investimentos produtivos. Segundo CEOs de setores como indústria, varejo e infraestrutura, o custo do capital está inviabilizando projetos de expansão que seriam fundamentais para a geração de empregos e o aumento da competitividade nacional.

O pessimismo de parte do empresariado reflete a dificuldade de captar recursos para investimentos de longo prazo. Com a taxa Selic em níveis restritivos, o financiamento de novas fábricas, a compra de maquinário e a modernização tecnológica tornam-se excessivamente caros. Para muitos executivos, o retorno esperado dos projetos não consegue superar o custo da dívida, o que leva as companhias a optarem pela cautela e pelo represamento de capital.

Além dos juros nominais, a incerteza sobre a trajetória da dívida pública e a política fiscal do governo federal também pesam nas decisões das diretorias. O temor é que a falta de um horizonte claro para a redução das taxas mantenha o consumo das famílias pressionado, reduzindo a demanda por produtos e serviços e, consequentemente, o apetite das empresas por novos riscos.

Impacto na inovação e na competitividade

O setor industrial é um dos que mais sentem os reflexos desse represamento. CEOs do segmento alertam que, enquanto concorrentes internacionais acessam crédito mais barato, as empresas brasileiras perdem espaço na corrida tecnológica. A avaliação é que o país corre o risco de passar por um novo ciclo de desindustrialização caso as condições de financiamento não melhorem nos próximos semestres.

No varejo, o impacto é sentido na ponta final. Com o crédito mais caro para o consumidor, as vendas de bens duráveis, como eletrodomésticos e automóveis, apresentam estagnação. Isso gera um efeito cascata: sem vender, o varejista não renova estoques; sem pedidos, a indústria reduz a produção e suspende planos de aumentar a capacidade instalada.

Apesar do cenário desafiador, alguns setores, como o agronegócio e a energia, ainda conseguem manter fluxos de investimento devido à demanda externa e contratos de longo prazo. No entanto, o consenso entre os gestores é que um crescimento robusto e generalizado do Produto Interno Bruto (PIB) só será possível com uma sinalização clara de queda sustentável dos juros, acompanhada de reformas que garantam a estabilidade econômica do país.