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Publicado: 14 de março de 2026 às 08:31

Ataque dos EUA à ilha de Kharg eleva tensão e ameaça economia iraniana

Terminal responsável por 90% das exportações de petróleo do Irã foi alvo de operação militar; especialista alerta para risco de colapso nos preços globais.

O cenário de conflito no Oriente Médio atingiu um novo patamar de gravidade nesta sexta-feira (13) com o ataque das forças dos Estados Unidos à ilha de Kharg, no Irã. Localizada estrategicamente no Golfo Pérsico, a ilha abriga o principal terminal de exportação de petróleo bruto do país. Segundo o ex-brigadeiro-general do Exército dos EUA, Mark Kimmitt, a ofensiva marca uma mudança de estratégia, passando do foco estritamente militar para uma tentativa de asfixia econômica do regime iraniano.

O presidente Donald Trump confirmou a operação, afirmando que os alvos militares na ilha foram "completamente destruídos". O mandatário americano elevou o tom das ameaças, declarando que a infraestrutura petrolífera de Kharg será o próximo alvo caso Teerã mantenha o bloqueio à passagem de navios pelo Estreito de Ormuz. Atualmente, os EUA utilizam a posição na ilha como uma espécie de garantia para forçar a liberação da rota marítima, por onde circula um quinto do petróleo mundial.

Especialistas militares advertem que a investida contra Kharg é uma aposta de alto risco. A ilha é responsável por cerca de 90% das exportações de óleo do Irã e, até então, havia sido preservada nas primeiras semanas de hostilidades. A destruição total de sua capacidade produtiva poderia levar o Irã a retaliar contra outras infraestruturas energéticas em todo o Oriente Médio, o que, nas palavras de Kimmitt, faria os preços do petróleo "saírem do controle".

Reação de Teerã e riscos globais

A resposta do governo iraniano foi imediata e severa. O presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, alertou que o país abandonará qualquer medida de contenção caso os ataques contra ilhas iranianas no Golfo Pérsico persistam. A ameaça sugere uma escalada para uma guerra total, com o uso potencial de munições de fragmentação e ataques diretos a aliados dos EUA na região, como Israel.

O impacto econômico já é sentido nos mercados internacionais. Embora os preços tenham recuado levemente após a liberação de reservas estratégicas pela Agência Internacional de Energia (AIE), a incerteza sobre a segurança no Estreito de Ormuz mantém a cotação do barril em patamares alarmantes. Analistas indicam que o mundo enfrenta o risco real de um choque de oferta sem precedentes caso as ameaças de destruição de infraestrutura se concretizem.

A operação na ilha de Kharg coloca a comunidade internacional em estado de alerta máximo. Enquanto Washington busca utilizar o poder econômico como arma de pressão, a possibilidade de uma resposta militar simétrica por parte de Teerã coloca em xeque não apenas a estabilidade regional, mas a segurança energética de dezenas de nações dependentes do petróleo do Golfo.