Trump adia cúpula com Xi Jinping e intensifica pressão sobre a China devido à guerra no Irã
Presidente dos EUA afirma que deve permanecer em Washington para coordenar operações militares e cobra apoio de Pequim na segurança do Estreito de Ormuz.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (16) o adiamento de sua visita oficial à China, prevista para o final deste mês, em decorrência do agravamento do conflito militar com o Irã. O mandatário justificou a decisão pela necessidade de liderar as ações da "Operação Epic Fury" diretamente da Casa Branca, sinalizando que a crise no Oriente Médio atingiu um ponto de inflexão que exige sua presença total em Washington.
"Eu gostaria muito de ir à China, mas, devido à guerra, eu preciso estar aqui", declarou Trump a jornalistas no Salão Oval. O encontro com o líder chinês Xi Jinping, que deveria ocorrer entre 31 de março e 2 de abril, foi postergado por cerca de um mês, conforme estimativas do governo americano.
Exigência por apoio internacional
A decisão de Trump não é apenas logística, mas também estratégica. O presidente intensificou a cobrança para que a China e outros países que dependem do petróleo da região assumam um papel ativo na proteção das rotas comerciais. O Estreito de Ormuz, passagem vital por onde circula cerca de 20% do consumo mundial de petróleo, tornou-se o centro de uma disputa naval após o Irã realizar manobras para bloquear o tráfego em resposta aos ataques aéreos americanos.
Washington espera que Pequim envie navios de escolta e tecnologia de remoção de minas para garantir o fluxo de energia. "A China recebe uma quantidade enorme de petróleo daquela região. Eles deveriam estar nos ajudando a manter as águas abertas", afirmou Trump, sugerindo que a cooperação chinesa no conflito poderá ser um tema central quando a cúpula for finalmente realizada.
Impactos globais e frente interna
O cenário de guerra já provoca efeitos severos na economia global. O preço do barril de petróleo ultrapassou os US$ 100, gerando temores de uma recessão mundial e pressionando o custo de vida nos Estados Unidos e em países aliados. Apesar das críticas internas sobre a escalada do conflito, o governo americano mantém a postura de que a ofensiva é necessária para neutralizar a capacidade nuclear iraniana e garantir a estabilidade a longo prazo.
Ao lado do vice-presidente JD Vance, Trump buscou projetar uma imagem de unidade e determinação. O governo reforçou que a prioridade imediata é a degradação total das defesas iranianas antes de qualquer nova tentativa de negociação diplomática. Enquanto isso, o mundo observa com cautela o adiamento do encontro entre as duas maiores potências econômicas, cuja relação agora está intrinsecamente ligada ao desfecho da crise no Golfo Pérsico.
