Irã ataca Tel Aviv em retaliação à morte de Ali Larijani e guerra no Oriente Médio escala
Ofensiva com bombas de fragmentação mata duas pessoas na capital israelense; novo líder supremo iraniano rejeita cessar-fogo com os Estados Unidos.
O conflito no Oriente Médio atingiu um novo patamar de gravidade nesta quarta-feira (18), quando o Irã lançou um ataque direto contra Tel Aviv. A ofensiva, confirmada pela televisão estatal iraniana, utilizou bombas de fragmentação e resultou na morte de pelo menos duas pessoas na capital israelense. Segundo o governo de Teerã, a ação foi uma resposta imediata ao assassinato de Ali Larijani, chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, ocorrido em uma operação atribuída a Israel.
O uso de bombas de fragmentação foi destacado por autoridades israelenses, que apontaram a dificuldade de interceptação desse tipo de armamento, que se dispersa em múltiplos explosivos menores antes do impacto. Com as novas vítimas, o número de mortos em território israelense desde o início das hostilidades, há pouco mais de duas semanas, subiu para 14 pessoas. No lado iraniano, um projétil atingiu áreas próximas à usina nuclear de Bushehr, embora a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) tenha informado que não houve danos ou vazamentos.
A morte de Ali Larijani e a linha sucessória
Ali Larijani era considerado a figura de mais alto escalão do governo iraniano alvejada desde o início do conflito, que já havia vitimado o líder supremo aiatolá Ali Khamenei. O Conselho de Segurança do Irã confirmou que, além de Larijani, seu filho e o vice-secretário, Alireza Bayat, também morreram no ataque israelense realizado na noite de segunda-feira (16).
A morte de Larijani ocorre em um momento de transição de poder em Teerã. O novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá assassinado, assumiu o comando na semana passada e já adotou uma postura de confronto absoluto. Em sua primeira reunião de política externa, o novo líder rejeitou propostas internacionais de redução de tensões mediadas pelos Estados Unidos.
Rejeição ao cessar-fogo e objetivos militares
De acordo com fontes do governo iraniano, Mojtaba Khamenei afirmou que "não é o momento certo para a paz" e que as hostilidades só cessarão quando os Estados Unidos e Israel forem "subjugados" e aceitarem pagar indenizações ao Irã. A postura do novo comando iraniano sinaliza que o país não pretende recuar, mesmo diante da ofensiva coordenada entre Washington e Tel Aviv para desmantelar o programa nuclear e a estrutura de comando do país.
Por outro lado, Israel e Estados Unidos reafirmam que o objetivo das operações iniciadas há duas semanas é impedir que o Irã desenvolva armas nucleares e eliminar as lideranças que coordenam ataques na região. O diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, fez um apelo público pela "máxima contenção", alertando que a proximidade dos combates a instalações nucleares eleva o risco de um desastre de proporções globais.
