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Publicado: 20 de março de 2026 às 08:37

Lula abandona “Paz e Amor” e carimba Banco Master como “Herança de Bolsonaro”, mas blinda ministros do STF

Em comício antecipado para 2026, presidente ignora que esposas de magistrados indicados pelo PT possuem elos com banco pivô de rombo de R$ 50 bilhões.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) subiu o palco em São Paulo nesta quinta-feira (19) com um discurso de guerra, abandonando definitivamente o figurino conciliador para adotar uma retórica de confronto direto. O alvo da vez foi o Banco Master, classificado pelo mandatário como a “Herança de Bolsonaro” e de Roberto Campos Neto. Segundo Lula, a instituição é o “ovo da serpente” de um esquema de corrupção que teria desviado R$ 50 bilhões dos cofres nacionais durante a gestão anterior.

Contudo, a metralhadora verbal do presidente disparou com um silêncio seletivo: Lula omitiu que figuras centrais do Judiciário, por ele indicadas ou com ele aliadas, possuem ramificações diretas na estrutura do banco investigado. Denúncias recentes apontam que as esposas dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes mantêm participações ou atuações profissionais ligadas ao ecossistema do Banco Master. Toffoli, indicado por Lula em seu segundo mandato, e Moraes, peça-chave na sustentação institucional do atual governo, são os grandes "elefantes na sala" que o discurso petista tentou varrer para debaixo do tapete.

Cortina de fumaça e a Operação Compliance Zero

Ao afirmar que o governo “não deixará pedra sobre pedra” na apuração das falcatruas, Lula tenta antecipar uma vacina política contra os desdobramentos da Operação Compliance Zero. A tática é clara: carimbar o escândalo como um subproduto exclusivo do "bolsonarismo" de 2019 para evitar que as investigações da Polícia Federal cheguem ao atual círculo de poder em Brasília.

A agressividade do presidente ocorre no momento em que a defesa de Daniel Vorcaro, fundador do Master, negocia uma delação premiada no STF. O temor nos bastidores é que uma eventual colaboração de Vorcaro exponha as entranhas das relações entre o banco e membros da alta corte, implodindo a narrativa de que o problema é apenas um "legado maldito" do governo passado.

Candidatura confirmada e o fim do “Lulinha Paz e Amor”

O evento serviu como o lançamento oficial da chapa para 2026: Lula confirmou sua candidatura à reeleição e chancelou Fernando Haddad para a disputa ao governo de São Paulo. Ao declarar que “não tem mais como ser o Lulinha paz e amor”, o presidente sinalizou que a estratégia eleitoral será baseada no ataque preventivo.

Para analistas, o uso do termo “Herança de Bolsonaro” para descrever o caso Master é uma tentativa de criar um fato consumado na opinião pública, antes que os elos familiares dos ministros do STF com a instituição financeira ganhem contornos judiciais mais graves. Enquanto o PT aceita a criação de uma CPI para "blindar" o presidente, o país assiste a uma queda de braço onde a verdade sobre o rombo de R$ 50 bilhões corre o risco de ser soterrada pela conveniência política.