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Publicado: 21 de março de 2026 às 09:30

Entidades do setor alertam: medidas do governo para combustíveis têm efeito limitado e há risco de desabastecimento

Isenção de impostos e subvenções não chegam integralmente às bombas; diesel subiu pela terceira semana seguida, atingindo média de R$ 7,26.

As recentes medidas do governo federal para conter a escalada dos preços dos combustíveis que incluem isenções de impostos federais e subvenções bilionárias estão sendo recebidas com ceticismo pelo mercado. Em nota conjunta divulgada nesta sexta-feira (20), as principais entidades que representam postos, distribuidoras, refinarias privadas e importadores (como Fecombustíveis, Abicom e Sindicom) alertaram que o impacto dessas ações no preço final ao consumidor será mínimo. Além disso, as associações acenderam um sinal de alerta sobre um possível risco de desabastecimento de diesel no país.

De acordo com o levantamento da ANP, o preço médio do diesel nas bombas subiu 6,76% apenas na última semana, chegando a R$ 7,26 — a terceira alta consecutiva. A gasolina também acompanhou o movimento, com alta de 2,94%, sendo comercializada a uma média de R$ 6,65. As entidades explicam que a ajuda governamental incide sobre o "Diesel A" (puro), vendido às distribuidoras, mas o consumidor final compra o "Diesel B", que contém uma mistura obrigatória de 15% de biodiesel, cujo custo de produção segue elevado.

O "Nó" Logístico e o Risco de Falta de Produto

O setor aponta que o tamanho do alívio prometido pelo governo depende de variáveis fora de controle imediato, como o ICMS estadual, custos de frete e, principalmente, a política de preços da Petrobras. Há uma preocupação latente de que, se a estatal mantiver os preços defasados em relação ao mercado internacional sem ampliar a oferta, os importadores e as refinarias privadas reduzam seus volumes de operação por falta de viabilidade econômica.

Como o diesel é o combustível vital para o transporte de cargas, qualquer interrupção ou alta acentuada gera um efeito cascata imediato:

  • Alimentos: Aumento no custo do frete impacta diretamente o preço na gôndola dos supermercados.
  • Indústria: Elevação nos custos operacionais e de distribuição de produtos manufaturados.
  • Serviços: Repasse de custos em passagens de ônibus e outros transportes coletivos.

A fiscalização também foi intensificada. Uma força-tarefa da ANP autuou grandes distribuidoras (Vibra, Ipiranga e Nexta) em São Paulo para apurar possíveis elevações injustificadas de preços. Enquanto o governo tenta equilibrar a balança entre subvenções e controle de inflação, as entidades do setor cobram ações mais estruturais que garantam a previsibilidade do abastecimento nacional frente à volatilidade global.