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Publicado: 24 de março de 2026 às 08:42

Cláudio Castro renuncia ao governo do Rio de Janeiro às vésperas de julgamento no TSE

Saída antecipada abre caminho para eleição indireta na Alerj; ex-governador alega foco em pré-candidatura ao Senado, enquanto defesa tenta evitar inelegibilidade.

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), renunciou oficialmente ao cargo na noite desta segunda-feira (23). O anúncio foi feito durante cerimônia no Palácio Guanabara, apenas um dia antes da retomada de um julgamento crucial no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que pode cassar seu mandato e torná-lo inelegível por oito anos. Castro entregou a carta de renúncia à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e afirmou que deixa o posto para se dedicar à sua pré-candidatura ao Senado em 2026.

A renúncia ocorre em um momento de alta pressão jurídica. O TSE analisa recursos sobre o caso Ceperj e Uerj, que envolvem acusações de abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022, com a contratação de milhares de servidores sem concurso público para fins eleitorais. O placar atual no tribunal é de 2 a 0 pela condenação de Castro. Aliados veem a saída antecipada como uma tentativa estratégica de esvaziar o julgamento da cassação — já que ele não ocupa mais o cargo — e focar a defesa apenas na questão da elegibilidade.

Com a saída de Castro, o estado vive uma situação de vacância total no Executivo, uma vez que o vice-governador, Thiago Pampolha, já havia deixado o cargo anteriormente para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). Diante desse cenário, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), desembargador Ricardo Couto, assume interinamente o governo até que a Alerj realize uma eleição indireta para escolher o novo mandatário que concluirá o mandato até o fim de 2026.

Próximos passos e a eleição indireta

A Alerj tem o prazo de até 30 dias para convocar e realizar o pleito indireto, no qual os 70 deputados estaduais votarão para escolher o novo governador e vice. De acordo com as regras vigentes e decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF), a tendência é que o voto seja secreto. Candidatos que desejarem concorrer ao "mandato-tampão" precisam ter mais de 30 anos e estar filiados a partidos políticos.

Durante sua despedida, Castro enumerou o que considera avanços de sua gestão, citando investimentos em segurança pública e a recuperação fiscal do estado. Ele declarou sair com a "cabeça erguida" e confiante em sua liderança nas pesquisas para o Senado. Entretanto, especialistas apontam que o futuro político de Castro depende diretamente do desfecho no TSE: caso os ministros votem pela inelegibilidade, seus planos eleitorais para 2026 serão inviabilizados, independentemente da renúncia ao cargo de governador.