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Publicado: 29 de março de 2026 às 11:10

Flávio Bolsonaro afirma que "PL da Misoginia" é estratégia do PT para desgaste político

Senador alega que proposta protocolada pela base governista visa criar "armadilha narrativa" contra a oposição; governistas defendem urgência para combater violência de gênero no parlamento.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) classificou a tramitação do Projeto de Lei que endurece penas para crimes de misoginia — apelidado nos bastidores do Congresso de "PL da Misoginia" — como uma "armadilha política" arquitetada pelo PT. Em declarações recentes, o parlamentar afirmou que o texto possui redação ambígua, o que permitiria, segundo ele, a criminalização de opiniões conservadoras e o cerceamento do debate político sob o pretexto de combate ao preconceito. Para Flávio, o objetivo central da base governista não seria a proteção das mulheres, mas sim a criação de um instrumento jurídico para desgastar lideranças de direita e, especificamente, atingir sua atuação no Senado.

A movimentação ocorre em um momento de alta temperatura ideológica no Congresso Nacional. O PL em questão propõe aumentar as punições para ofensas dirigidas a mulheres em razão do gênero, com agravantes quando o crime é cometido por autoridades ou por meio de redes sociais. Flávio argumenta que a oposição já defende o rigor da lei contra agressores, mas sustenta que a nova proposta abre margem para "interpretações subjetivas" do Judiciário, podendo ser utilizada para cassar mandatos de adversários do atual governo.

Guerra de narrativas no Legislativo

Do outro lado, a bancada feminina e membros do PT rebatem as críticas de Flávio Bolsonaro, negando qualquer caráter persecutório na proposta. Defensores do projeto argumentam que os episódios recentes de violência verbal e ataques machistas dentro das comissões do Senado e da Câmara tornaram a legislação necessária. Para os governistas, a resistência da oposição ao projeto seria uma tentativa de manter um "salvo-conduto" para comportamentos desrespeitosos no exercício do mandato.

A estratégia da oposição, liderada por Flávio, é tentar desidratar o texto nas comissões, sugerindo emendas que limitem a interpretação do que constitui o crime de misoginia, focando exclusivamente em atos de violência física ou ameaças diretas. O senador tem reforçado junto à sua base que o PT utiliza pautas de costumes para "encurralar" a direita em debates onde qualquer discordância é rotulada como discurso de ódio, dificultando a contra-argumentação técnica sobre o mérito das leis.

Desdobramentos e votação

O projeto deve enfrentar forte resistência no rito de urgência. Líderes de partidos de centro já sinalizaram que o texto precisa de "ajustes finos" para evitar interferências na imunidade parlamentar. Enquanto isso, Flávio Bolsonaro mantém a ofensiva nas redes sociais, utilizando o caso como exemplo do que chama de "perseguição sistêmica" contra sua família e aliados, conectando o PL às recentes decisões do STF que impuseram restrições ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A expectativa é que a votação se torne um novo teste de força entre o Palácio do Planalto e a ala bolsonarista no Congresso. Se aprovado sem as modificações pleiteadas pela oposição, o PL poderá se tornar um dos principais pontos de atrito jurídico nas eleições municipais e estaduais que se aproximam, com ambos os lados prontos para judicializar falas proferidas durante a campanha com base na nova lei.