O passado alcoólico do Biotônico Fontoura: entenda como o fortificante era mais forte que uma cerveja
Fórmula original criada por Cândido Fontoura continha 9,5% de álcool, quase o dobro do teor médio das bebidas pilsen tradicionais.
O Biotônico Fontoura é uma das marcas mais longevas do Brasil, mas sua composição centenária esconde um detalhe que hoje causaria espanto nas prateleiras de farmácias. Durante décadas, o tônico que prometia "abrir o apetite" e combater a anemia possuía uma graduação alcoólica de 9,5%, superando o teor de cervejas populares e se aproximando de alguns tipos de vinho.
A presença do álcool não era um segredo, mas sim uma necessidade técnica da época. O componente atuava como um solvente para os extratos vegetais e como conservante, garantindo a estabilidade do produto em uma era com menos recursos tecnológicos de envase. O sucesso foi tanto que o escritor Monteiro Lobato, após testar a fórmula, tornou-se o maior entusiasta da marca, ajudando a consolidar o produto no imaginário popular.
A intervenção da Anvisa e a nova era do suplemento
A polêmica em torno da composição só ganhou força no início dos anos 2000. Com a evolução dos estudos sobre o impacto do álcool no desenvolvimento infantil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) passou a endurecer as regras para fortificantes e tônicos. Em 2001, uma resolução oficial proibiu a presença de álcool em produtos destinados a crianças, o que forçou uma mudança histórica na indústria farmacêutica brasileira.
Desde então, o Biotônico Fontoura passou por uma reformulação completa. O álcool foi retirado e substituído por uma base de água, mantendo o foco em minerais como ferro e fósforo. A mudança adequou o produto aos padrões modernos de segurança pediátrica, transformando o antigo "elixir" em um suplemento mineral seguro para o consumo contemporâneo, sem perder o posto de um dos itens mais recordados pelas famílias brasileiras.
