Comissão de ciclistas critica novo decreto do Rio e propõe ajustes para circulação de veículos
Representantes da categoria apontam falhas na distinção entre bicicletas elétricas e ciclomotores e sugerem medidas para garantir segurança nas ciclovias
Uma comissão formada por associações de ciclistas do Rio de Janeiro apresentou, nesta segunda-feira (6), uma série de críticas e sugestões ao novo decreto municipal que regulamenta a circulação de veículos de duas rodas na capital. O grupo argumenta que a norma atual gera confusão entre o que é considerado bicicleta elétrica e o que deve ser classificado como ciclomotor, dificultando a fiscalização e colocando em risco a segurança de quem utiliza as faixas exclusivas.
De acordo com os representantes, o decreto não define com clareza os limites de potência e velocidade que permitem a circulação de veículos nas ciclovias e ciclofaixas. A principal preocupação da categoria é a presença de ciclomotores de maior porte e velocidade em espaços projetados para o tráfego leve. Para a comissão, a falta de critérios objetivos favorece conflitos no trânsito e aumenta as chances de atropelamentos e acidentes graves em áreas de lazer e transporte.
Como solução, os ciclistas propõem uma padronização rigorosa baseada na Resolução 996 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Entre as sugestões estão a obrigatoriedade de dispositivos que limitem a assistência do motor elétrico a 32 km/h e a proibição total de aceleradores manuais em bicicletas que circulam em vias compartilhadas com pedestres. O grupo também defende que veículos que não dependem do pedal para se locomover sejam registrados e circulem apenas nas pistas de rolamento junto aos carros.
Além das questões técnicas, a comissão apontou a necessidade de campanhas educativas e uma sinalização mais eficiente nas orlas e principais eixos cicloviários da cidade. Os representantes sugerem que a Prefeitura do Rio instale totens informativos e realize blitze orientadoras antes de aplicar multas, focando no esclarecimento sobre as diferenças entre cada tipo de veículo e onde cada um deve trafegar.
A Secretaria Municipal de Transportes informou que está aberta ao diálogo e que o decreto visa justamente organizar o fluxo crescente de novos modais elétricos na cidade. O governo municipal afirmou que analisará as propostas da comissão para possíveis ajustes no texto, buscando equilibrar a inovação tecnológica no transporte urbano com a proteção dos usuários mais vulneráveis das vias públicas.
